Telegran ganha popularidade no Brasil diante do polêmico vazamento dos diálogos de Moro e procuradores

Perícia nos diálogos do Telegram pode ser tecnicamente impossível, diz professor

Diálogos divulgados pelo site Intercept tentam desmerecer as ações da Lava Jato.
Nos últimos dias, conversas atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato dominaram o noticiário político do Brasil e deram notoriedade  ao aplicativo de mensagens Telgram, concorrente do Whatszapp. A pedido da Rede Globo, especialistas analisam a segurança do Telegram no programa Fantástico que foi ao ar neste domingo.

Nos últimos dias, conversas atribuídas ao então juiz Sérgio Moro e procuradores da Operação Lava Jato dominaram o noticiário político do Brasil. A comunicação teria ocorrido por um aplicativo de troca de mensagens – o Telegram – e publicada pelo site The Intercept.

Segundo o site, elas mostrariam que o então juiz Sérgio Moro não foi imparcial ao julgar e condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Intercept diz que recebeu as mensagens de uma fonte anônima e que checou sua autenticidade.

Moro denunciou no dia 4 de junho que foi vítima de um hacker. Deltan Dalagnoll denunciou em abril que também teve seu celular hackeado. Os dois questionam a autenticidade das mensagens alegando que elas podem ter sido adulteradas.

Independentemente de como as mensagens foram obtidas, os usuários dos aplicativos se questionam: o Telegram é mais seguro – ou não? E quem é o exótico milionário russo que criou o aplicativo?

Posando sem camisa no deserto, um homem quer mostrar saúde. Ele é o exótico bilionário russo Pavel Durov, de 34 anos.

Faz 15 anos que Pavel não bebe álcool, não usa drogas, não ingere nada que tenha cafeína, não come carne. Mais recentemente, ele passou a comer… Nada. Diz que está vivendo só à base de água.

Mas Pavel Durov não se resume a folclore e esquisitices. Ele é inimigo de um dos homens mais poderosos do mundo, o presidente russo, Vladimir Putin.

Ele teve que fugir da Rússia. Passou anos vagando pelo planeta, no máximo cinco semanas em cada lugar. Só nos últimos tempos parou num endereço fixo: Dubai, nos Emirados Árabes. E, de lá, ele comanda seu império.

Pavel fundou em 2006 a VK, que se tornou a rede social mais popular da Rússia. Grupos de oposição a Putin começaram a usar a VK pra se organizar. O governo foi pra cima. E apoiou um fundo de investimentos que, na marra, comprou a empresa de Pavel.

Ele foi obrigado a aceitar a venda. A essas alturas, já tinha saído escondido da Rússia. Pegou o dinheiro, cerca de R$ 1,5 bilhão, em valores de hoje, e se instalou, primeiro, nos Estados Unidos. E foi de lá que ele anunciou que já vinha trabalhando em um novo projeto, o aplicativo de troca de mensagens Telegram. Pois é, o mesmo Telegram que, nos últimos dias, está no centro do noticiário político no Brasil.

Isso porque teriam sido extraídas do Telegram as conversas que o site The Intercept publicou nesta semana. São mensagens que o site atribui ao então juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e a procuradores da Operação Lava Jato.

No domingo passado, o Intercept divulgou um primeiro bloco de trocas de mensagens atribuídas a Moro e a procuradores, incluindo o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol.

Segundo o site, os diálogos mostram que o então juiz Sérgio Moro teria orientado ações, o que é proibido pela Constituição, e teria cobrado novas operações dos procuradores. Moro também teria reclamado do tempo entre uma operação e outra.

Em outro trecho da conversa, segundo o Intercept, Moro teria passado para Dallagnol pistas de uma transferência de propriedade para um dos filhos de Lula.

Ataque contra a Lava Jato
Procuradores denunciação a suspeita de Hakers deturpando diálogos.

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná afirmou, nesta quarta-feira, 12, que “diálogos inteiros podem ter sido forjados pelo hacker ao se passar por autoridades e seus interlocutores”. “Uma informação conseguida por um hackeamento traz consigo dúvidas inafastáveis quanto à sua autenticidade, o que inevitavelmente também dará vazão à divulgação de fake news”.

Os procuradores ressaltam que as “investidas criminosas contra celulares de autoridades de diferentes instituições da República continuam a ocorrer com o claro objetivo de atacar a operação Lava Jato”.

“Mais uma vez, na noite da última terça-feira, 11 de junho, um hacker passando-se por um integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), cuja identidade virtual havia sequestrado, entabulou conversas com outras autoridades e ainda em grupos de aplicativos de trocas de mensagens eletrônicas. Distorcendo fatos, o hacker enviou mensagens com o objetivo claro de desacreditar a imagem de integrantes da força-tarefa, estimulando ainda que seu interlocutor as compartilhasse com o viés de ‘queimar a imagem’ dos integrantes do MPF”, ressaltam.

A divulgação de supostos diálogos obtidos por meio absolutamente ilícito, agravada por esse contexto de sequestro de contas virtuais, torna impossível aferir se houve edições, alterações, acréscimos ou supressões no material alegadamente obtido.

A Lava jato afirma haver “notícia de ataques a jornalistas, integrantes do Poder Executivo e do Poder Judiciário e Conselheiros do CNMP”. “Os relatos dos fatos foram incluídos nas investigações em curso, e a força-tarefa, em virtude da continuidade dos ataques, redobrou as cautelas de segurança”.

“O ataque em grande escala, em plena continuidade, envolvendo integrantes do Ministério Público, Poder Judiciário, Poder Executivo e imprensa, revela uma ação hostil, complexa e ordenada, típica de organização criminosa, agindo contra as instituições da República. É necessário não apenas identificar e responsabilizar o hacker, mas também os mandantes e aqueles que objetivam se beneficiar desses crimes a partir de uma ação orquestrada contra a operação Lava Jato”, afirmam.

A força-tarefa da Lava Jato em São Paulo disse que “os procuradores da República Thaméa Danelon e Andrey Borges de Mendonça sofreram tentativa de invasão em seus celulares funcionais no mês de maio”. “Na ocasião, o ataque foi prontamente percebido e bloqueado por ambos. Na época, os dois procuradores já não integravam a Força Tarefa da Lava Jato em São Paulo”.

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