Prefeito Joyuson Vieira culpa a omissão do setor público e a Embasa, pela crise hídrica do Rio Utinga

O prefeito Joyuson Vieira denuncia os vilões do Rio Utinga.
O prefeito Joyuson Vieira denuncia os vilões do Rio Utinga.

Em entrevista exclusiva sobre a crise hídrica que afeta o Rio Utinga, um dos principais afluentes perenes da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu, o prefeito Joyuson Santos Vieira (PSL) do município de Utinga, foi bastante critico com relação aos entes federados, União, Estado e Municípios, culpando todos, inclusive a sociedade e a Embasa, pelo risco de morte que vem afetando o Rio Utinga, que não leva mais suas águas até o Rio Paraguaçu. Questionado quem é o grande vilão do risco de morte do Rio Utinga, Joyuson afirmou: “O primeiro grande vilão é a seca, mas o segundo grande vilão é o setor governamental de todos os níveis de governo, inclusive o municipal, faço aqui mea-culpa. Se os governos municipal, estadual e federal, fizerem sua parte, desaparecerão os vilões”. Enfático e emocionado em suas respostas, Joyuson se volta questionando a si mesmo, quanto ente de governo: “Cadê as barragens para fazer reserva de água que se perdem depois das chuvas”. Cadê o reflorestamento das nascentes e margens do rio; Cadê os órgãos governamentais como DENOCS, Ministério da Integração nacional, o Estado e os municípios? Questiona o prefeito, criticando que “até o conjunto da sociedade também se omitiu, os plantadores de banana e a Embasa, que utilizam o manancial e não preveniram a preservação das margens do rio”.

Fiscalização do acordo

Joyuson responsabiliza a Embasa pela falta de reflorestamento.
Joyuson responsabiliza a Embasa pela falta de reflorestamento.

Revelando estar preocupado com a permanência do “raro polo produtivo da banana e outros frutos”, o prefeito Joyuson Vieira  também confessa estar preocupado com a vida do rio. “Tanto que nós procuramos o governo do estado e seus órgãos ambientais, com apoio dos prefeitos, o comitê de bacia, os nossos produtores e irrigantes”, informa o gestor municipal. Depois de sucessivas reuniões chegamos ao um acordo que a irrigação só funcionará nas terças, quintas e sábados. “Para isso, é preciso fiscalizar e fazer valer as decisões da comissão da sociedade” adverte o prefeito.

Ele destaca que o estado dispõe de poder fiscalizador, equipamentos e tecnologias para resolver o problema do rio, “mas se omite”.

Embasa vilã

O prefeito Joyuson foi bastante critico, quando incriminou a Empresa Baiana de Água e Saneamento  S/A – Embasa, de ser uma das grandes vilãs do risco de morte que ameaça o Rio Utinga. “A embasa é que mais retira água do rio, às vezes de forma irregular e até de forma operacional erada”. Declarou o prefeito citando que a Embasa faz a captação de água para “sob fio d’água”, para servir Lajedinho, Utinga e Wagner, comprometendo o abastecimento humano destas cidades. Na avaliação do prefeito, a empresa não estrutura local adequado com vazão eficiente para captação. “Quando o rio baixa a Embasa capta lodo e água suja”.

Joyuson condena a ausência da Embasa, que por ser uma empresa com fins lucrativos, “ sua omissão é flagrante, pois ela é a maior beneficiaria do rio, e não tem devolvido para a sociedade ações concretas de reflorestamento e preservação do Rio Utinga”, disse condenando a empresa com veemencia.

Entre a cruz e a espada

Preocupado com o rio o polo produtivo, Joyuson critica os governos e faz também sua "mea-culpa".
Preocupado com o rio o polo produtivo, Joyuson critica os governos e faz também sua “mea-culpa”.

A polêmica inflamou o prefeito quando respondeu à pergunta de O Paraguaçu: “O quadro hoje é de estar-se entre a cruz e a espada. Controlar a produção ou matar o Rio. Qual a solução mediana que o prefeito sugere?”

“Está equivocado quem fez essa litura!, exclamou o prefeito reagindo um tanto indignado. “Não estamos entre escolher o abastecimento animal, o abastecimento humano ou se matar o rio”. Disse Joyuson, apresentando um dado que considerou “fundamental”: a nascente do rio produz a pleno vapor 100% da sua capacidade de água.

Com seu argumento propositivo, o prefeito Viera ponderou que “precisamos é fazer a gestão desse recurso hídrico”. A sociedade e o governo se juntar para minimizar as perdas de água, fechamento de canais indevidos e improdutivos, impermeabilizar alguns canais cuja infiltração provoca a perda de água. Jouyson acrescentou que “os produtores firmaram o pacto para irrigar por três dias, se isso for insuficiente, entre manter o abastecimento humano e salvar o polo produtivo, se a seca perdurar, é preciso diminuir a irrigação para dois dias e, se for o caso, para um dia por semana”.

Escolha perversa

O prefeito utinguense adverte que “temos uma seca das mais graves, sem chuvas há mais de 14 meses, mas é obvio que na diversificação da cultura, não podemos aniquilar um grande polo produtivo da cultura da banana e outras culturas em Utinga”. Ele sugere que a alternativa é criar normas para limitar á ares de plantio em um polo que tem uma irrigação moderna, através gotejamento.

“Talvez, num futuro distante essa escolha perversa possa acontecer. Está equivocado quem pensa assim, salvar o rio e matar o polo produtivo. Estão querendo matar um doente que manifestou um sinal de câncer e nem fizemos o diagnóstico a quimioterapia, e já queremos comprar o caixão”, reagiu Joyuson na defensiva.

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