Governo processa YouTube por coletar dados de crianças para publicidade

O governo brasileiro abriu um processo administrativo contra o Google após encontrar indícios de que o YouTube está coletando dados de crianças e adolescentes para fins publicitários. De acordo com a investigação, informações como localização, números de telefone e modelo de aparelho usado para acesso aos vídeos estariam sendo analisados e compartilhados com parceiros publicitários sem o consentimento dos pais, um ato que, se confirmado, pode gerar multa de R$ 9,9 milhões para a empresa. A possibilidade de informações estarem sendo coletadas e compartilhadas começou a ser investigada em setembro pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), por meio de seu Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), ligado ao Ministério da Justiça. O órgão afirma ter encontrado indícios de que esse armazenamento de informações estava ocorrendo e agora busca esclarecimentos do Google sobre a forma como as propagandas são exibidas para o público infantil e adolescente. Em nota à imprensa, a empresa afirmou estar mudando a forma como trata os dados e os perfis que acessam conteúdo infantil no YouTube. De acordo com o Google, todos, a partir de janeiro de 2020, passarão a ser tratados como crianças independentemente da faixa etária em que estiverem. Assim, a coleta de dados a partir dessas contas será reduzida ao mínimo necessário para permitir o funcionamento do produto, sem que anúncios segmentados sejam exibidos. -Baixe nosso aplicativo para iOS e Android e acompanhe em seu smartphone as principais notícias de tecnologia em tempo real.- Ao iniciar as investigações sobre o caso, a secretaria já havia notificado o YouTube em busca de esclarecimentos sobre a suposta coleta de dados de crianças e adolescentes para utilização em suas plataformas de publicidade. Na época, a empresa respondeu à imprensa com um link no qual detalha mudanças nas políticas relacionadas ao conteúdo infantil, que somente se tornaram mais rígidas depois da aprovação, nos Estados Unidos, do COPPA (Ato de Proteção à Privacidade Online das Crianças, na sigla em inglês). As novas normas estão sendo aplicadas pelo YouTube em todo o mundo, apesar de legislarem apenas sobre os EUA. Sob os novos termos, o site pede que os próprios criadores indiquem se seu conteúdo é feito para crianças, com as medidas devidas sendo aplicadas a cada caso. Algoritmos também ajudarão a determinar quando um conteúdo é infantil ou não, levando a ações como a desativação dos comentários e redução na monetização devido à falta de direcionamento publicitário. O YouTube também lembrou que seus termos de uso incluem a possibilidade de coleta de dados e entrega de publicidade direcionada, bem como a ideia de que crianças e adolescentes devem ter supervisão e autorização dos pais para utilizarem a plataforma. Todos, segundo a empresa, concordam com tais normas no momento em que criam suas contas na versão brasileira da plataforma. A empresa lembra ainda a existência da versão Kids do site, que traz conteúdo voltado para os pequenos e conta com telemetria menos invasiva. O processo em andamento na justiça brasileira lembra um concluído em setembro nos Estados Unidos, com o Google sendo condenado a pagar uma multa de US$ 170 milhões por violar a privacidade das crianças que usam a plataforma. A acusação é semelhante à feita pela Senacon, com o YouTube considerado culpado pela coleta de dados a partir de vídeos focados no público infantil, com essas informações sendo usadas para exibição de publicidade. Leia a matéria no Canaltech. Trending no Canaltech: Modo escuro do WhatsApp deve ser ativado automaticamente para economizar bateria NASA encontra destroços de nave indiana que se chocou contra a Lua Mais de R$ 3 milhões em produtos da Xiaomi são apreendidos na Black Friday em SP Viúva Negra ganha primeiro trailer com novos personagens; assista Experimento deve provar que microgravidade inibe crescimento de tumores

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