Governo de AL entrega computador a Indiana Jhones, ouro em matemática

Filho de pescador ganhou também um notebook da secretária de Coruripe.

G1 contou a história do jovem campeão em olimpíada de escolas públicas.

 Vanessa FajardoDo G1, em São Paulo
Indiana recebe o computador do governador em exercício de Alagoas, José Thomaz Nonô; no detalhe, a reportagem do G1 sobre o estudante medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Foto: Valdir Rocha/ Secretaria Estadual de Educação AL/ Divulgação)

Horas depois de o G1 publicar a história do estudante Indiana Jhones dos Santos, filho de pescador e morador do povoado de Coxim, em Coruripe (AL), o rapaz de 19 anos, que conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ganhou de presente dois computadores e recebeu uma homenagem na sede do governo de Alagoas.

O estudante ganhou um notebook da secretária de Educação de Coruripe, Jeannyne Beltrão, e o outro computador foi entregue pelo governador em exercício José Thomaz Nonô, durante homenagem que Indiana recebeu no Palácio República dos Palmares, sede do governo de Alagoas, em Maceió, na tarde desta quarta-feira (4). De acordo com o governo estadual, o computador foi doado por um empresário.

  • Na sede do governo, Indiana também recebeu uma placa comemorativa em reconhecimento à sua conquista na Obmep, além de uma bolsa integral para um curso profissionalizante no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Alagoas, localizado em Maceió. O governo se comprometeu a custear o transporte do rapaz de Coruripe à capital do estado. Os dois municípios ficam cerca de 90 km distantes um do outro. Indiana Jhones ainda não decidiu qual curso do Senac vai fazer.

A reportagem do G1 sobre o estudante com nome de herói do cinema mostrou que Indiana Jhones ficou quatro anos fora da escola, e ao voltar a estudar, foi incentivado por um professor a participar das olimpíadas de matemática. Nas duas edições anteriores da Obmep, Indiana levou a medalha de bronze, mas não conseguiu desfrutar integralmente do prêmio, uma bolsa de R$ 100 mensais por falta de acessos ao site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Ele não tinha computador. Em 2011, ele conquistou a medalha de ouro, que vai receber em cerimônia a ser realizada no Rio de Janeiro.

Além da história de Indiana Jhones, o G1 publicou também reportagens sobre a crise da educação de Alagoas. O estado tem a rede pública de ensino com o pior resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país. Lá, o ano letivo de 2012 ainda não começou em 127 escolas, ou seja, em 38% do total das unidades.

Metade das escolas está sendo reformada. Em uma delas, o teto chegou a desabar por má conservação. Em outra, os estudantes foram transferidos para salas improvisadas dentro de contêineres climatizados porque o teto da escola também estava ameaçando cair. Em 17 escolas, o ano letivo vai começar somente em maio.

Jovem ganhou um notebook da secretária de Coruripe Jeannyne Beltrão (Foto: Arquivo/SEMED-Renato Ramalho)

Sem internet

Indiana Jhones ficou muito feliz com a homenagem. Por enquanto, os dois computadores que ganhou não têm acesso à internet. No povoado onde vive, o sinal é via rádio e assessoria do governo informou que busca uma forma de viabilizar o serviço ao garoto.

“Me sinto muito feliz por esta homenagem, agradeço pelo prêmio. Queria dizer que não vou mais desistir dos estudos, vou seguir em frente, sempre buscando o melhor para mim e para minha família”, disse Indiana, no encontro na sede do governo. O jovem cursa o 1º ano do ensino médio, mas já poderia ter concluído a educação básica se não tivesse passado quatro anos fora da escola. O estudante também agradeceu ao apoio recebido pelo professor de matemática Djalma Felix do Nascimento, de Coruripe.

Governador em exercício recebeu o estudante Indiana e sua família (Foto: Neno Canuto/ Governo de AL/ Divulgação)
“Às vezes filhos de famílias mais abastadas, com muito mais condiçoes não chegam nem pertinho disso [da medalha de ouro]. Quem inventou de batizá-lo como Indiana Jones anteviu o futuro, já que ele é um vencedor, superador de obstáculos, por isso o homenageamos, até para que o exemplo prospere”, afirmou o governador em exercício.

História
Indiana mora com a mãe Angelita e o padrasto José João Batista, de 64 anos, em uma casa simples do povoado de Poxim. O casal está desempregado. Batista, que Indiana considera um pai, pesca “para a família não passar necessidade”. A única renda da casa vem do benefício do Bolsa Família. Indiana não trabalha, mas pensa em dar aulas de matemática para reforçar o orçamento. Prefere os números à pescaria. O casal acompanhou o jovem no encontro na sede do governo alagoano.

Sobre o tempo em que parou de estudar, Indiana tem pouco a falar. Diz que não o fez porque tinha de trabalhar, mas apenas faltava estímulo. “Tinha preguiça, não tinha vontade de ir para a escola, ainda mais à noite. Mas quando ganhei minha primeira medalha fiquei incentivado e deu mais vontade de estudar.” Desde então, garante que não vai mais abandonar a sala de aula.

O professor Djalma Felix disse que viu um dom no aluno Indiana Jhones (Foto: Vanessa Fajardo/G1)

Apoio do professor

Indiana teve a seu favor a qualidade da rede de ensino de Coruripe que possui o melhor Ideb entre os 102 municípios alagoanos. A nota é 4,5 – meta prevista para ser atingida em 2015. A rede possui 19 escolas que atendem 14 mil alunos.

O estudante também contou com o apoio do professor Djalma Felix do Nascimento, de 43 anos, que logo identificou seu talento com os números. “Percebi que ele tinha um dom, superava os outros facilmente. Para mim o Indiana é um aluno especial, tem muita capacidade e consegue resolver os problemas mais difíceis. Ele é muito respeitado na escola.”

Quando fala da matemática, Indiana sorri. Diz que a matéria é difícil, por isso causa tanta antipatia entre os estudantes, mas, se houver dedicação, não é impossível. “Tem de prestar atenção nos professores e estudar em casa ajuda muito. A matemática é muito importante para mim. Desde criança tenho facilidade e acho que ela pode ser um caminho para eu conquistar uma vida melhor.”

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