Expedição Técnica constata intensa degradação na Serra do Orobó

Especulação e invasão imobiliária prejudica a Arie do Orobó.
Especulação e invasão imobiliária prejudica a Arie do Orobó.

Por incrível que pareça, depois de transformada em uma Área de Relevante Interesse Ecológico – ARIE, em 2002, a Serra do Orobó, em lugar de ser alvo de preservação, tornou-se objeto de intensa especulação imobiliária e degradação ambiental, com a expropriação ilegal de sua área, com a grilagem destruindo e desmatando dezenas de hectares de suas matas deciduais. Tudo isso sob o olhar complacente do setor público e a cumplicidade da politica. Esta é a constatação a que chegou a equipe técnica da ONG itaberabense Fundação Paraguaçu, durante a Expedição realizada na serra, na manhã do domingo 21 de agosto.

Especuladores imobiliários invadem a ÁRIE e constroem até casarões de dois andares, desmatando de forma tão violenta que o solo vermelho fica exposto às erosões. A exploração das nascentes e a captação irregular e clandestina das suas águas comprometem a sobrevivência dos “olhos dágua”, constatando-se que das 16 nascentes que brotavam na serra há 20 anos, hoje restam cinco em situação critica, por desmatamento e o uso irracional da sua capacidade hídrica. Sobre estas nascentes os proprietários e fazendeiros lançam mangueiras e tubos de sucção da água, serra abaixo, sem nenhum controle ou outorga dos órgãos de fiscalização.

A degradação por desmatamento ameaça de morte as nascentes da serra.
A degradação por desmatamento ameaça de morte as nascentes da serra.

 

O engo. José Ruy em uma das tubulações que canaliza água de uma nascente
O engo. José Ruy em uma das tubulações que canaliza água de uma nascente

Falta fiscalização

Em reunião ao lado da sede da ARIE, instada pelo governo estadual, constatou-se que o local encontra-se abandonado e sem gestão por parte do município. A operação conjunta realizada pelo INEMA, ADAB, CIPA Ministério Público Ambiental, em novembro de 2015, não trouxe o resultado esperado. Moradores  confessaram que de nada adiantou a fiscalização, pois a politicagem municipal vem protegendo os predadores da serra. “Nos últimos 10 anos a invasão imobiliária vem destruindo as matas da serra, sem nenhum controle por parte do Estado nem a Prefeitura”, alerta o ambientalista Salvador Roger de Souza, dirigente da ONG.

Integraram a expedição os engenheiros Wendel Rangel (florestal), Adriana Guedes (formanda florestal) Jose Ruy Cortes (civil), educadora ambiental Adriana Castro, jornalista Salvador Roger, técnico civil Thassio Santana, professor Luiz Costa Britto, biólogo Sergio Sa Teles e os estudantes Marcos, Geane, Alciene e Rodiney da Escola Família Agrícola. O casal de moradores Tatiane e Carlos recepcionou a equipe com café da manhã e almoço patrocinado pelo Projeto Cariangó.

Relevo importante

Vestígio de mata revela a exuberância florestal da serra.
Vestígio de mata revela a exuberância florestal da serra.

A ARIE Serra do Orobó ocupa uma área total de 7.397 ha. e espécies nativas dos três grandes biomas: a mata atlântica, a caatinga e o cerrado, os quais possuem grande diversidade biológica e características especificas. O topo da Serra mede 1.021m de altitude  abrigando caminhos ou trilhas que levam aos afloramentos de cristais de rocha, o Dedo de Deus, a Cachoeira do Fascínio (com 16m de altura), o Morro Dois Irmãos e a Serra Selada. 60% da serra fica em território de Itaberaba e 40% em Ruy Barbosa. Foi criada pelo governador interino Otto Alencar, através o Decreto Estadual Nº 8.267 de 06 de junho de 2002, após movimentos intensos dos ambientalistas, debates e seminários realizados pela ONG Fundação Paraguaçu.

Técnicos se reuniram em frente da sede da Arie abandonada.
Técnicos se reuniram em frente da sede da Arie abandonada.

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