Direto da RedaçãoEducaçãoFlashItaberaba

Estudantes ocupam Campus da Uneb de Itaberaba e anulam as aulas em protesto

A maior reivindicação da turma é a liberação do PTA, como mostram no cartaz.
A maior reivindicação da turma é a liberação do PTA, como mostram no cartaz.

Mais de 40 estudantes do Curso de Licenciatura em Educação do Campo ocuparam na manhã desta sexta-feira, 25, o Campus XIII da Uneb de Itaberaba, impedindo o acesso do pessoal administrativo, professores e alunos dos demais cursos, interrompendo as aulas de todo o departamento. Empunhando refrões e cartazes de protesto, os estudantes reclamam das dificuldades no funcionamento do curso, que é um projeto piloto realizado em Itaberaba para toda a Bahia e que contempla uma reivindicação dos movimentos sociais dos sem-terra.  Conforme Erlan Bispo Miranda, oriundo de Água Fria, um dos articuladores do movimento estudantil, “a ocupação é uma medida extrema que só acontece porque, há três anos, temos buscado uma solução  junto à reitoria da Uneb, sem resultados, para a liberação do PTA (Plano de Trabalho Anual) estabelecido pelo Fundo Nacional de Educação – FNDE, que financia o curso.

Dificuldades

Fechando o portão da Uneb e bloqueando o acesso, os estutandes entoaram cânticos e refrões de protesto.
Fechando o portão da Uneb e bloqueando o acesso, os estutandes entoaram cânticos e refrões de protesto.

São muito grandes as dificuldades que os estudantes campesinos tem enfrentado, salienta Erlan Miranda, que ao meio-dia da ocupação do Campus XIII, acompanhado dos colegas Vera Clara e Luciano, levaram informações aos microfones da Rádio Comunitária Rosário FM. Entrevistados pela reportagem de O Paraguaçu, revelaram que o curso vem funcionando precariamente, com os estudantes em recursos para transporte, alimentação e hospedagem, ocorrendo falta de pagamento dos professores. “Até o momento só tivemos cinco módulos de quarenta dias, o chamado intensivão”, conta Erlan.

O curso é modular e gerido pela pedagogia da alternância, que compreende etapas presenciais no campus, durante 30 a 40 dias por semestre, enquanto no tempo restante os alunos realizam atividade extraclasse em suas comunidades. Deste a terça-feira, 22, que todos os 44 alunos do curso compareceram para o 1º Módulo deste ano, porém, apenas uma aula foi realizada pela mestra Lídia, “por consideração de amizade com a turma”, disse Erlan. Diante da falta de recursos demais professores não compareceram, ensejando a reação dos universitários. Eles são jovens líderes do campo indicados para fazer o curso pelos movimentos como o MST, MLT, CETA, FETRAF, FETAG, e o movimento Escolas Famílias Agrícolas,  e se mobilizam dos municípios de Bom Jesus da Lapa, Cansanção, Pindobaçu, Monte Santo, Wagner, Iramaia, Marcionílio Souza, Itaetê, Sítio do Mato, Ruy Barbosa, Camamú, Boas Vista do Tupim e Itaberaba.

Repercussão

A cidade e os meios acadêmicos ficaram surpresos som a ocupação do Campus XII e, conforme o acadêmico Antônio Carlos Alves da Silva Bareta, secretario de colegiado, ele foi o único que a turma autorizou acesso, com o fim de telefonar para todos os professores, técnicos, dirigentes e demais alunos, sobre o cancelamento das aulas.

Apanhado de surpresa, o diretor do departamento Climério Oliveira empreendeu viagem à capital baiana para mediar um acordo com o Reitor José Bites de Carvalho, bem como agendar o encontro com os estudantes do movimento, o que pode ocorrer na próxima segunda-feira 28.

“Vamos permanecer acampados ocupando a Uneb, até que haja uma solução”, advertiram em coro os líderes da turma.  Erlan acrescentou ainda que todo o problema com os repasses do PTA são causados por que “soubemos, não houve prestação de contas”.

Os estudantes ocuparam o pavilhão de acesso do departamento, onde deverão acampar em pernoite durante os dias serguitnes.
Os estudantes ocuparam o pavilhão de acesso do departamento, onde deverão acampar em pernoite durante os dias serguitnes.
Os estudantes fecharam os protões da Uneb impedindo aulas até a segunda feira, 28.
Os estudantes fecharam os protões da Uneb impedindo aulas até a segunda feira, 28.

 

Ao violão, Herlan Miranda anima a turma a entoar refrões e cantorias.
Ao violão, Herlan Miranda anima a turma a entoar refrões e cantorias.

 

admin

FotografoChan, diagramador, webdesigner, morador da cidade de Itaberaba-Ba

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3 Comments

  1. PARABENIZAMOS AOS ESTUDANTES PELA CAPACIDADE DE ENRRAIZAR O CONHECIMENTO NO CORIDIANO DA VIDA E POR FUNDAMENTAR SUA PRATICA PEDAGÓGICA COM A PEDAGOGI A DA LUTA-INDAGAÇÃO-REIVINDICAÇÃO E SOBRETUDO ORGANIZAÇÃO E DETERMINAÇÃO.

    QUE A COERENCIA PEREMEIE O PROCESSO DE CONSTRUÇAO DO CONHECIMENTO.
    CONTEM CONOSCO
    PORQUE “CETA SOMOS NÓS. NOSSA LUTA É NOSSA VÓZ!”

    COORDENAÇÃO ESTADUAL

  2. Reivindicações pertinentes e justa só esqueceram de pedir apoio dos estudantes dos outros cursos que até o momento estão sendo solidários por entende que reivindicações de “estudantes “ deve ser pleiteada e apoiada entretanto que fique claro que parar o Campus XIII que é lugar correto das reivindicações só ira chamar a atenção e trazer transtornos futuros para os demais estudantes, penso eu que devemos ir para o Campus I onde acharemos apoio e respostas mais concretas para estas pautas, como já se sabe o reitor vai receber os seis representantes do pro-campo, espero que este curso que é um projeto piloto não venha findar e que todas as expectativas dos estudantes seja contemplada e este movimento que beneficia quarenta e quatro estudantes acabe em satisfação para os mais de seiscentos estudantes que necessitam estar em sala de aula.

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