Energia eólica transforma o interior da Bahia com obras de infraestrutura

O estado tem o segundo parque eólico do Brasil, praticamente empatado com o líder Rio Grande do Norte

Não são moinhos de vento. As imensas hélices que se espalham pela Chapada Diamantina simbolizam o futuro. Elas integram um dos 150 parques de energia eólica instalados no interior, o que faz da Bahia o segundo estado em geração de energia extraída dos ventos, praticamente empatado com o líder Rio Grande do Norte (3,9 gigawatts contra 4,0). Nos últimos anos, o interior baiano atraiu 13 bilhões de reais de investimentos do setor e viu brotarem mais de 40 mil empregos diretos.

Com os projetos em andamento, que devem adicionar mais de 3 gigas até 2022, a Bahia tende a se tornar o estado líder em geração eólica no Brasil. Um ganho não só financeiro e social, mas também ambiental. Gerar eletricidade a partir do vento diminui a dependência das fontes hidrelétricas e reduz a pressão sobre o Rio São Francisco, tão fundamental para o Nordeste e tão sacrificado. Em uma década, houve uma transformação no consumo de energia na região. Antes totalmente dependente das águas, em setembro de 2018, 74,12% da eletricidade consumida pelos nordestinos veio da energia eólica.

O potencial é enorme. Até 2026, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética, quase metade da expansão da oferta de eletricidade no País virá de fontes eólicas ou solares. Estima-se que a força dos ventos poderia gerar 143 gigawatts em sua plena capacidade no Brasil, dez vezes mais do que produz a usina de Itaipu. O cálculo foi feito quando as unidades ainda eram desenhadas para pás a uma altura de 50 metros. Atualmente elas chegam a 100 metros. Quanto mais alta a torre, mais energia é captada.

A fonte solar também deve ganhar espaço na matriz brasileira e baiana. Estudos da EPE indicam que até 2027 haverá a contratação de 12 mil megawatts e 50% desse potencial será comercializado na Bahia. A chinesa CGN anunciou no início do ano a aquisição de três usinas renováveis em operação que somam 540 megas e que pertenciam à italiana Enel Green Power, o que mostra o potencial do mercado e o interesse estrangeiro que ele atrai. Em geração centralizada solar, o estado lidera no Brasil, com 652 mega instalados. Outros seis empreendimentos vão começar a operar nos próximos anos e acrescentarão mais 227 megas ao sistema. A previsão de investimento é de 1 bilhão de reais e a de geração empregos, de 6,5 mil postos.

No caso da geração eólica, a Bahia possui uma cadeia de fabricantes forte e consolidada. O estado atua para atrair fornecedores de subcomponentes utilizados na fabricação de equipamentos e fornecedores de serviços de operação e manutenção. “Buscamos parcerias com as empresas do setor eólico que atuam no estado, bem como o desenvolvimento conjunto de equipamentos mais bem adaptados aos ventos da Bahia”, afirma Paulo Guimarães, superintendente de Atração de Investimentos e Fomento ao Desenvolvimento Econômico.

Cadeia de produção. O estado se esforça para atrair fornecedores, afirma Paulo Guimarães

O avanço de fontes intermitentes como solar e eólica também poderá destravar investimentos em gás natural, com destaque para a instalação de usinas térmicas e o uso em unidades industriais, com destaque para o Polo de Camaçari. Distribuidoras da Região Nordeste, incluindo a Bahiagás, reuniram-se para realizar uma chamada pública de contratação de gás para diversificar o abastecimento do insumo em um momento em que a Petrobras começa a vender ativos na área. Seria uma forma de ampliar a oferta e tentar reduzir preços. O maior cliente da distribuidora baiana é o Polo de Camaçari. A chamada do Nordeste recebeu 23 propostas, em análise de aderência e conformidade ao edital de cada concessionária. Entre os próximos passos a serem dados estão a reunião com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e a análise do perfil da demanda.

Além de energia, o setor de transportes oferece um pacote atraente de investimentos. O governo e representantes da Bahia Mineração assinaram em maio o termo de unificação dos terminais do Porto Sul e a constituição da Sociedade de Propósito Específico para a construção do empreendimento que será instalado em Ilhéus, no Sul da Bahia. A unificação visa acelerar as obras para a construção do complexo. Segundo o diretor-financeiro da Bamin, Alexandre Aigner, o projeto fortalece a parceria, que dura mais de dez anos, entre a empresa e o governo. “A combinação entre a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul trará uma infraestrutura mais eficiente, que proporcionará desenvolvimento para todo o estado, além de trazer transformação social, equilíbrio e viabilização econômica.”

A Bahia tem o segundo parque eólico do Brasil, praticamente empatado com o líder Rio Grande do Norte

Com, aproximadamente, 1.527 quilômetros de extensão, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste ligará o futuro Porto de Ilhéus, no litoral baiano, a Figueirópolis, no Tocantins, ponto no qual se conectará à Ferrovia Norte-Sul. O escoamento das cargas será feito prioritariamente por meio dos terminais de uso privativo do Porto Sul e da Bamin. Os dois empreendimentos vão formar o Complexo Porto Sul, que terá capacidade de movimentar 75 milhões de toneladas de grãos, carga geral e carga em contêineres.

O projeto da Mina Pedra de Ferro, no município de Caetité, no sertão baiano, pretende produzir 18 milhões de toneladas de minério. Já a empresa chinesa Easteel pretende investir 7 bilhões de dólares na implementação do projeto de desenvolvimento integrado, o que vai gerar 30 mil empregos diretos. O projeto contempla a construção de um grande parque industrial integrado, formado por siderúrgica, usina de energia e uma fábrica de cimento. O projeto também pretende revitalizar o Porto de Aratu e a construção de uma cidade inteligente nas proximidades do parque industrial.

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