EMBRAPA realiza em Itaberaba testes com uma variedade do abacaxi resistente a Fusariose

Em dia de Campo que será realizado em 1º de dezembro, serão apresentadas as características desta nova variedade do abacaxi

Aderval da Coopaitfa e Davi da Embrapa, apresentam as mudas do abacaxi resistente à Fusariose.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA realiza no município de Itaberaba os testes de uma nova variedade de abacaxi que apresenta alto índice de resistência à principal ameaça da cultura: a doença fusariose, causada pelo fungo Fusarium guttiforme. Conforme o pesquisador Davi Junghans, técnico titular da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas, “o uso de variedades resistentes de abacaxi constitui a medida de controle mais eficiente contra a fusariose, além de ser ambientalmente correta, pois tem a vantagem de eliminar o uso de fungicidas para controle do Fusarium”.

Reunidos na manhã da quarta-feira, 31, na área da Cooperativa Agroindustrial de Itaberaba – COOPAITA, o presidente Aderval Queiroz da Silva, técnicos da Secretaria Municipal de Agricultura, Meio Ambiente, Indústria e Comércio (SEAMA), da Bahiater, demais produtores de abacaxi e o pesquisador da Embrapa, definiram a data de realização de um evento técnico (Dia de Campo) voltado aos produtores de abacaxi, a ser realizado no dia 1º de dezembro vindouro.

Davi Junghans, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas afirma: “O uso de variedades resistentes de abacaxi constitui a medida de controle mais eficiente contra a fusariose”.

No dia de Campo em dezembro, serão apresentadas as características desta nova variedade do abacaxi, ainda sem nome definido, cuja produção de mudas utiliza a técnica do seccionamento do talo para a obtenção dos novos brotos do abacaxi.

Davi destaca que esse projeto de pesquisa é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), sendo utilizado a infraestrutura adaptada na Coopaita, sob coordenação da Embrapa Mandioca e Fruticultura, tendo como parceiros a própria Coopaita, além da Bahiater e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Produção de mudas de abacaxi

Davi da Embrapa explica como se dá a formação genética da nov a variedade do abacaxi.

Apresentado previamente aos presentes, o método para a multiplicação das mudas do abacaxi, o técnico da Embrapa revelou que a técnica consiste no seccionamento ou corte do caule (“talo”) da variedade que melhor se adaptou ao clima semiárido da Bahia, principal resultado deste projeto de pesquisa. Davi destacou que a COOPAITA é uma importante parceira com seus produtores cooperados, para a disseminação das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Mandioca e Fruticultura em prol da abacaxicultura brasileira e, em particular, baiana.

Na área da agroindústria da COOPAITA, que já produz frutas desidratadas e a barra de cereais Naturita, foi adaptada uma infraestrutura dotada de um canteiro e um telado de sombra, ambos irrigados, com recursos da FAPESB, do Governo do Estado, destinado a produção de mudas de abacaxi em larga escala. Inicialmente está sendo multiplicado esta nova variedade de abacaxi, para distribuição a produtores selecionados. A mesma infraestrutura deverá ser utilizada no futuro, à medida que novas variedades forem desenvolvidas e adaptadas ao clima de Itaberaba e região.

Estufa é utilizada para a formação de mudas, sob micro irrigação.

Quatro produtores de abacaxi já realizam o plantio experimental de mudas desta variedade selecionada pelo projeto de pesquisa. Os agricultores familiares Vladimir Bastos e Aderval Queiroz plantaram em março/2018, na condição de sequeiro, aproximadamente 300-400 mudas cada um, em suas propriedades. Estando o primeiro na região do Couro Seco e o segundo na região do Alto Vermelho. Já o técnico da BAHIATER, Alberto Alves, cuida de 300 mudas plantadas em setembro/2018 na condição irrigada, na margem do Rio Paraguaçu, em Boa Vista do Tupim. E o cooperativista e produtor Valdomiro Vicente Victor cultiva as mudas desde 2015, já que em sua propriedade foi executado o projeto de pesquisa da Embrapa, onde foram obtidos os talos de plantas-mães selecionados pela sua adaptação ao clima semiárido.

Doce e resistente

Produtores, cooperativistas e técnicos em reunião no viveiro adaptado para o projeto da Embrapa.

Os estudos da EMBRAPA demonstraram que esta variedade de abacaxi, também dotada de espinhos, oferece vantagens em relação à cultivar Pérola, tradicional na região de Itaberaba, como a de eliminar o uso de fungicidas para controle da fusariose, além de ter um sabor doce, apesar de uma acidez um pouco superior. Possui o miolo ou eixo central mais estreito e com mais fibras na polpa, o que pode significar um tempo de armazenagem superior à cultivada Pérola, que atualmente detém 87% de participação no mercado brasileiro.

Praga da Fusariose

Estudos da Embrapa consideram que cerca de 30 a 40% da produção de abacaxi é perdida por causa da Fusariose, também conhecida como resinose ou gomose. Causada pelo fungo Fusarium guttiforme, torna o fruto impróprio para o consumo e, se não for controlada, pode ocasionar perda total da plantação. A fusariose tem nas mudas contaminadas uma das principais vias de contágio.

A cultura do abacaxi é uma lavoura cara, de alta produtividade e elevado risco.

O custo com pulverizações para controle do fungo é de, aproximadamente, R$ 1.800 por hectare, o equivalente a 10,8% do custo de produção. Estas pulverizações são feitas de quatro a seis vezes por ciclo, com início algumas semanas após o tratamento de indução floral (TIF), se estendendo até o fechamento das flores nas inflorescências.

O histórico da cultura do abacaxi na Bahia revela que o município de Coração de Maria (na região de Feira de Santana) era o maior produtor de abacaxi da Bahia até meados da década de 1980. Ali, o fungo da fusariose dizimou a produção, que gradualmente teve seu deslocamento para a região de Itaberaba, no início da mesma década. Apesar do clima mais seco e quente, que desfavorece o desenvolvimento da doença, os plantios de abacaxi em Itaberaba não estão livres da fusariose, o que ainda exige a aplicação de fungicidas para o seu controle.

EMBRAPA realiza em Itaberaba testes com uma variedade do abacaxi resistente a Fusariose

Uma Ação da embrapa em parceria com a coopaita para o fortalecimento da cultura do abacaxi!

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