Defesa de Elize pede a exumação do corpo de Marcos Matsunaga

Solicitação foi feita durante audiência de instrução do caso, nesta terça.

Ré confessa e amante de Marcos tiveram depoimentos adiados.

 Kleber Tomaz Do G1 São Paulo
Imagem de álbum localizado no apartamento do
casal (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

A defesa de Elize Matsunaga pediu, nesta terça-feira (11), a exumação do corpo do empresário Marcos Matsunaga, assassinado em maio deste ano. A solicitação foi feita ao juiz Adilson Paukoski Simoni, do 5º Tribunal do Júri de São Paulo, durante a audiência de instrução do caso.

Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ), o juiz só vai se manifestar sobre o pedido após parecer do promotor e do assistente de acusação sobre o pedido.

Mais cedo, às 14h10 a assessoria do TJ informou que o pedido havia sido deferido pelo juiz. Por volta das 14h20, porém, o promotor José Carlos Cosenzo disse que a questão ainda não havia sido definida e corrigiu a informação inicial.

“Ainda não decidi se concordo ou não com esse pedido de exumação. Mas, terei que avaliar e me posicionar para que depois não aleguem que o Ministério Público está cerceando a defesa”, disse o promotor, ao deixar o Fórum da Barra Funda nesta terça.

Assassina confessa, a bacharel é acusada de matar e esquartejar o marido em 19 de maio, no apartamento do casal, na Zona Oeste da capital paulista. Elize deixou o presídio de Tremembé, no interior paulista, nesta manhã, para participar da audiência no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste.

 Segundo a assessoria de imprensa do TJ-SP, somente após concluída a fase de instrução, o juiz deverá decidir se submeterá Elize a júri popular pelo crime de homicídio e ocultação de cadáver. Caso seja pronunciada pelo juiz ela será submetida a júri popular. Sete jurados a julgarão em uma data ainda a ser marcada pelo magistrado.

O crime
Além de usar uma pistola para dar um tiro na cabeça de Marcos, a mulher também usou uma faca para esquartejá-lo, colocar as partes do corpo em sacos plásticos dentro de malas, e jogá-las na Grande São Paulo. Os pedaços foram encontrados no dia 27 de maio.

A viúva, que inicialmente negava a autoria do crime, confessou o assassinato e está presa desde 5 de junho. Segundo declarou à Polícia Civil, ela matou o marido após uma discussão sobre a descoberta da infidelidade de Marcos, na qual respondeu a uma injusta provocação do empresário, que a teria agredido com um tapa na cara.

O advogado de Elize, Luciano Santoro, disse ao chegar ao Fórum da Barra Funda nesta terça-feira que ela quer ser interrogada para contar ao juiz como tudo ocorreu. Ele reafirmou que se trata de um crime passional, sob forte emoção, após ela ter sido agredida por Matsunaga. Para a defesa, ela deve responder por homicídio simples e ocultação de cadáver. Santoro afirma que sua cliente vinha sendo humilhada há meses e queria se separar do marido.

Para o promotor José Carlos Cosenzo, o crime foi premeditado, por motivo financeiro – Marcos era diretor da empresa de alimentos Yoki. Ele espera que ela seja condenada a 30 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe (vingança movida por dinheiro), utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel (esquartejamento).

Gravação
Outra prova que a defesa pretende usar para corroborar a tese de que a bacharel vinha sendo ameaçada é uma gravação feita pela Polícia Militar. Vinte e cinco dias antes do crime, Elize havia telefonado para o serviço de emergência 190 da PM para denúncia Marcos por ameaça.

Durante um crise conjugal, Matsunaga tentou reconquistar Elize. O G1 teve acesso ao depoimento de testemunhas e à troca de e-mails entre o casal Matsunaga. As mensagens que constam no processo foram trocadas durante o período em que o empresário e a bacharel em direito estiveram separados provisoriamente.

Bastidores da crise conjugal
No período de aproximadamente um mês antes do crime, Elize e Marcos viviam uma crise por suspeita de traição. Após ligar para polícia e relatar ter sido ameaçada, Elize deixou o apartamento do casal e se refugiou em um hotel em São Paulo com a filha e a babá Mauriceia; depois seguiu com elas para a Bahia e Paraná.

Enquanto esteve longe de Marcos, Elize pensava no divórcio, ao ponto de consultar uma advogada que a orientou a contratar um detetive para flagrar a traição do marido. Mas após receber a tradução de ‘Because You Loved Me’ (Porque Você Me Amou), interpretada pela cantora canadense Celine Dion, e o buquê de flores com o pedido de reconciliação, desistiu de seguir com o rompimento.

Mesmo assim, ela manteve os serviços do detetive que gravou o diretor da Yoki com sua amante, a garota de programa Nathalia. Quando conheceu Marcos, Elize também havia trabalhado como prostituta.

Música e flores
No e-mail, Marcos buscava mostrar que queria retomar o relacionamento. “(…) você fez de mim um homem (…)”, escreveu Marcos às 18h16 do dia 29 de abril em e-mail enviado a Elize. “(…) agora me sinto como nessa música, temos muitas coisas para acertar e corrigir na nossa relação, cometi muitos erros e fui muito fraco (…) Temos que esquecer o que passou, parar de nos magoarmos e recomeçar tudo como se voltássemos para aqueles dias mágicos (…)”.

“Eu concordo com tudo o que vc falou (…)”, respondeu Elize para Marcos, às 18h38 do mesmo dia de abril, com linguagem típica da internet. “Mas quero desesperadamente parar de brigar, pork não aguento mais (…) eu t amo muito”.

O depoimento da babá Mauricéia, dado em junho ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), confirma a tentativa de reconciliação. “O que mais marcou a depoente nessa viagem foi o fato de chegar um buque de flores vermelhas com um bilhete de Marcos, e Elize mostrou o bilhete dele pedindo desculpas”, declarou a babá.

Crime passional
Em maio, o empresário foi buscar a bacharel, a criança e a babá no aeroporto em São Paulo. Ao chegarem ao apartamento, a empregada foi dispensada. Marcos desceu de elevador para pegar uma pizza que havia pedido. Ao subir, o casal discutiu porque a mulher revela ter descoberto a relação extraconjugal do executivo.

De acordo com depoimentos de Elize, o crime ocorrido em maio foi passional, cometido “sob forte emoção” após ela ter sido “injustamente provocada pela vítima”. À Polícia Civil, havia dito que a vida conjugal não era “harmônica” e pensava em se separar. Alegou ainda que respondeu a uma agressão de Marcos após discussão sobre a traição dele.

Na versão da acusada, o homem a xingou, ameaçou tirar a guarda da criança dela, e matá-la caso fugisse com a menina. Pela primeira vez no relacionamento, ele deu um tapa no seu rosto. Em seguida, a bacharel atirou na cabeça do executivo da empresa alimentícia, cortou seu corpo, o colocou em sacos e os espalhou na Grande São Paulo.

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