Clássicos do cinema são ignorados pelos serviços de streaming como Netflix ou Amazon

A busca por títulos clássicos envolve muito esforço na localização de filmes antigos e estrangeiros

FAROESTE: John Wayne em “Rastros de Ódio”, de 1956, dirigido por John Ford.

Filmes como “Casablanca” ou “Cidadão Kane” aparecem em praticamente todas as listas de melhores obras cinematográficas já feitas. Assim como “A Doce Vida”, de Federico Fellini (1920-1993), ou “Os Sete Samurais”, de Akira Kurosawa (1910-1998). Mas é impossível encontrá-los nos principais serviços de streaming, como Netflix e Amazon Prime. Essa tendência incomoda muitos cinéfilos. Onde estão os clássicos? Ter acesso a eles não é das tarefas mais fáceis, mas é possível assistir a obras-primas sob demanda, sem apelar para os bons e velhos DVDs e blu-rays.

Os Sete Samurais”, de 1954, de Akira Kurosawa: está de fora dos catálogos online.

O gradual desaparecimento das produções históricas — americanas, estrangeiras ou nacionais — dos serviços faz parte da estratégia dessas empresas. A Netflix tem focado sua atuação em conteúdo original. Toda semana seus usuários podem assistir a estreias produzidas em diversos cantos do mundo. Em 10 de dezembro, seu catálogo brasileiro, com pouco mais de 2.800 filmes, contava apenas com 201 produções de antes do ano 2000 – menos de 10%, portanto. As décadas de 1960 e 1970, que foi uma fase de criatividade vibrante em Hollywood, é contemplada por apenas 26 longas. Outros serviços, como Amazon Prime, também seguem a mesma linha, priorizando o conteúdo original em detrimento de licenciamentos.

Nem tudo é culpa dessas empresas. Os próprios estúdios evitam liberar algumas de suas produções, já pensando em seus próprios serviços. A Disney, parceira de longa data da Netflix, anunciou que lançará seu próprio streaming em 2019. Até lá, alguns conteúdos ficarão fora do catálogo online.

“Cidadão Kane”, de 1941, de Orson Welles: fora dos catálogos online.

Aproveitando esse vácuo, outras empresas oferecem alternativas para quem não se satisfaz apenas com produções recentes. Uma das opções mais interessantes disponíveis no Brasil é o Mubi. São apenas 30 filmes em catálogo, e todos os dias um deles é substituído por outro. A oferta inclui clássicos e filmes estrangeiros, alguns raros. O problema é a cobrança em dólares. Até pouco tempo atrás, muitos também não tinham legendas em português.

“Lawrence da Arábia”, de 1962: também está fora dos catálogos online.

Além de outros serviços, como o Net Now, que também oferece conteúdo sob demanda e conta com alguns clássicos em seu catálogo, o YouTube tem se tornado uma fonte de produções antigas, muitas delas já em domínio público. O Play, do Google, também oferece um acervo razoável de obras-primas, com preços baixos para o aluguel.

Volta aos DVDs

A venda de formatos físicos caiu 24% apenas em 2016, mas DVDs e blu-rays estão longe de se tornar obsoletos. Para os cinéfilos, é a única forma de assistir a alguns filmes. E o Brasil tem algumas opções, como a Versátil e a Obras-Primas do Cinema, que se inspiram em marcas estrangeiras, como a Criterion, para oferecer edições voltadas para os colecionadores. Embora os streamings ofereçam boa qualidade de imagem, quem se aventura em busca de produções fora do circuito já se deparou com cópias ruins. Nesses casos, os formatos físicos oferecem uma experiência superior. De qualquer maneira, a busca por um título específico envolve um esforço grande de garimpo. Dá até para sentir saudade das antigas locadoras. (Fonte: istoe.com.br)

 

 

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