Carbono zero até 2049: Salvador inicia plano para enfrentar mudanças climáticas

A Prefeitura de Salvador estabeleceu uma meta para o aniversário de 500 anos da cidade. Até o ano de 2049, a capital baiana deve zerar a emissão de carbono, afirmou o prefeito ACM Neto durante o evento de início da elaboração do Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima em Salvador, nesta quarta-feira (15), no Teatro Gregório de Mattos.

Esse é apenas um dos objetivos do projeto, que também prevê formas de reduzir a vulnerabilidade da cidade e sua população às alterações do clima.

Com a crise climática, as marés ficam mais altas, a cidade mais quente e as chuvas mais concentradas e fortes. Essas problemáticas devem ser abordadas no plano cuja elaboração é fruto de um investimento de US$ 600 mil, resultado de financiamento do C40 e do BID, a partir do Prodetur.

Com execução prevista de nove meses, o projeto é realizado pelo consórcio formado pela WayCarbon, ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e a ONG internacional WWF, além de uma equipe de consultores e do apoio local da Aganju Sustentabilidade.

Segundo o prefeito, é necessário possuir um plano com metas de curto a longo prazo para poder manter o compromisso com a agenda da sustentabilidade nos próximos anos, mesmo após o seu governo. Para isso, Neto aponta que é necessário investimento em várias áreas.

“Garantir a neutralidade de carbono até 2049 é uma meta audaciosa que depende da união do poder público, das instituições, da sociedade e do cidadão. O plano também vai qualificar os quadros da prefeitura para que todas essas metas possam ser perseguidas. Salvador assumiu protagonismo no Brasil na defesa das medidas que possam mitigar e ajudar a adaptar as nossas cidades aos efeitos da mudança do clima que são reais e não podem ser negligenciadas”, afirmou ele.

A capital baiana foi a primeira cidade da América Latina a assumir compromissos com o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, formado por para implementar políticas e ações para redução das emissões e adaptação das cidades aos efeitos das mudanças climáticas. O plano é uma das ações previstas no pacto. 

O Plano Municipal de Adaptação e Mitigação às Mudanças Climáticas foi fruto da Semana Latino-americana e Caribenha sobre Mudança de Clima e é parte da Estratégia de Resiliência lançada pela prefeitura, em março de 2019.

Mesmo sem ter todas as metas traçadas, o secretário municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência, André Franga, ressalta a necessidade de agir nos segmentos de transporte, energia e resíduos para conseguir neutralizar as emissões de carbono até 2049.

“Existem metas de curto, médio e longo prazo para a cidade. Dentre os três setores que mais contribuem nas emissões, o transporte é o principal desafio porque é preciso financiar a mudança da frota, trabalhar por emissão de menos poluente e utilizar apenas veículos elétricos no futuro”, disse o titular da Secis.

Do ponto de vista da energia e dos resíduos, o secretário apontou que existem possibilidades de atuar com o incentivo da implantação de micro e minigeração de energia solar fotovoltaica, ampliar a coleta seletiva e reduzir a geração de resíduos, por exemplo. E essas são apenas soluções que existem atualmente, outras inovações podem surgir até 2049 e ajudar Salvador a ser mais sustentável.

Um dos membros da equipe de consultores para o documento, o cientista e climatologista brasileiro, Carlos Nobre, afirmou que a capital baiana sai na frente das demais cidades brasileiras ao tratar as questões ambientais como prioridade. Mesmo com a meta audaciosa, Nobre reconhece que é possível zerar as emissões de gases estufa com políticas públicas e a participação da sociedade.

“Muitas metas dependem de políticas públicas e é possível nessa escala de tempo atingir a meta sem perda de qualidade de vida, inclusive, com melhora na saúde. Esse caminho é possível e há experimentos mundiais que comprovam isso”, diz.

Além do que cabe aos governantes, como a compra de ônibus elétricos e a utilização de fontes de energia renováveis, a população também tem um papel fundamental no plano. “Precisaremos da população, de representantes de entidades e do máximo possível de especialistas e estudiosos, todos envolvidos. Afinal, esse não é um plano da Prefeitura, mas sim uma política que ficará de legado para a cidade”, complementa Fraga.

Nobre apontou que uma decisão individual de mudar seu estilo de vida pode ter um grande impacto se tomada por muitos soteropolitanos. O climatologista explicou que optar por uma dieta mais saudável e com menos emissão, como uma alimentação com menos carne, é uma das ações que pode ser tomada pela população. “O papel das populações é muito importante para lutar para a adaptação das mudanças climáticas”, afirmou.

“Salvador é uma cidade costeira. Por isso, já tem que se preocupar com o nível do mar que está aumentando, as ressacas se tornando mais fortes, as ondas de calor e os eventos extremos que causam estragos em Salvador. O clima está mudando e a cidade precisa se adaptar a essas mudanças”, conclui Nobre.

Ao todo, serão realizados 15 eventos voltados para a divulgação de informações e engajamento ao plano. Na programação do encontro desta quarta também foram realizadas reuniões técnicas paralelas para instituições convidadas. O calendário com os demais eventos que serão realizados ao longo do ano será divulgado posteriormente.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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FotografoChan, diagramador, webdesigner, morador da cidade de Itaberaba-Ba
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