Brasil só precisa de 2% do recurso do Plano Safra para reflorestar o país

Estudo mostra que meta de reflorestamento do governo é possível de ser cumprida – e que não custará caro reflorestar

Parceira do Projeto Cariangó, a Escola Família Agreicola de Ruy Barbosa mantém viveiro de produção de mudas nativas.
Parceira do Projeto Cariangó, a Escola Família Agreicola de Ruy Barbosa mantém viveiro de produção de mudas nativas.

No ano passado, o Brasil se comprometeu na ONU com uma importante medida ambiental: reflorestar 12 milhões de hectares de mata nativa no país até 2030. Esse compromisso se tornou, posteriormente, em parte da meta brasileira assinada no Acordo de Paris, que deverá ser ratificada ainda este ano pelo Congresso.

O que o governo não apresentou ao falar da meta é como pretende fazer esse reflorestamento ou quanto isso pode custar. Um estudo produzido pelo Instituto Escolhas fez exatamente isso. Segundo o estudo, o Brasil precisa investir R$ 52 bilhões, até 2030, para conseguir cumprir essa meta.

Parece muito, mas não é. Segundo Sérgio Leitão, diretor do instituto, se esse valor for dividido por ano, são R$ 3,7 bilhões ao ano. Essa quantia representa apenas 1,86% do valor que será investido este ano no Plano Safra, o plano do governo de investimento e incentivos para o setor agropecuário. Como o setor é um dos principais responsáveis pelo desmatamento histórico, nada mais justo que destinar uma pequena fração desse valor para reflorestar.

Segundo Leitão, esse investimento pode criar um novo setor econômico no Brasil, uma indústria da restauração florestal. O novo setor criaria cerca de 215 mil postos de trabalho no campo e resultaria na arrecadação, para o governo, de R$ 6,5 bilhões em impostos. “O Brasil precisa iniciar esse processo. Isso pode resolver o passivo do agronegócio, criar uma indústria florestal com base competitiva. Vai ser bom para o cidadão, que comprará madeira legal, para o Tesouro Nacional, porque vai aumentar receitas, e para o desenvolvimento tecnológico do país, com o conhecimento acumulado da ciência sobre as nossas florestas.”

Isso tudo sem falar no benefício óbvio de que plantar florestas é bom para o ambiente e para o clima. Porém, é preciso iniciar o processo. Como fazer isso em meio ao caos de crises política e econômica que estamos vivendo neste momento? Para Sérgio Leitão, a crise não pode comprometer as promessas feitas pelo Brasil na ONU. “Alguns compromissos assumidos pelo país transpassam a crise política. Nós temos a expectativa que esse tema seja tratado ainda este ano, nos debates do orçamento ou na discussão do Plano Safra”.

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