Audiência pública gerou protestos contra governo e Inema por não apresentar solução para o Rio Utinga

Sem estudo hidrológico, sem controle de usos das águas e a crescente demanda por irrigação, o Rio Utinga entra em colapso não desagua no Rio Paraguaçu

O prefeito Joyuson Vieira chamou a atenção para o diálogo, criticando a posição unilateral do Inema.

A manifestação popular que uniu irrigantes, lideranças politicas, ambientalistas e o povo, na manhã do sábado, 28, articulada pelos municípios de Utinga e Wagner, não alcançou o objetivo esperado que seria a liberação imediata das bombas de irrigação que foram lacradas pelo Inema, em operação autorizada pelo Governo do Estado no último dia 21, ao longo do Rio Utinga. O evento foi transformado em Audiência Pública, diante da participação do deputado estadual Marcelo Nilo (PSL), o representante Marivaldo Dias, da Secretaria de Relações Institucionais – SERIN e o diretor administrativo Marcelo Dantas Veiga, da Embasa, que ouviram uma saraivada de protestos e reclamações nos sucessivos discursos das lideranças, que pediram a liberação da irrigação, barragens no rio, reflorestamento e “o apoio que nunca chegou por parte do governo estadual”, foi dito.

O deputando Marcelo Nilo levará as decisões da plenária para a decisão do governador.,

Colapso na produção

“O governo tomou uma atitude unilateral que nos levou ao colapso”, protestou o prefeito Joyuson Santos Vieira (PSL), referindo-se aos lacres das bombas de irrigação, que colocou sob risco de perda centenas de hectares de  banana e mamão, além do desemprego. “O momento não é de confronto, mas de diálogo”, opinou o prefeito pedindo a interlocução do deputado presente. Joyuson enfatizou que o polo de fruticultura do Vale do Rio Utinga concentra mais de 900 irrigantes, a maioria pequenos e médios, que geram alimentação e economia, estando a merecer “o respeito dos governantes”.

O representante do governo, Marivaldo Dias, disse que a perenização por barragens depende do orçamento do Estado.

Por sua vez, prefeito de Wagner Elter Bastos (PSL) apelou para a “consciência dos produtores”, alertando que a crise surgiu porque muitos deles quebraram o primeiro acordo. Ele citou que conseguiu com o colega prefeito Joyuson, localizar um projeto de barragem sobre o rio Utinga, que foi repassado ao governo.

O prefeito Elter Bastos clamou ao produtores “consciência” no uso racional do potencial do rio.

Revelando sua solidariedade, o deputado Marcelo Nilo criticou a postura do Inema e setores do governo, citando os técnicos “que não tem sensibilidade humana nem politica”, para lidar com os problemas das pessoas. Anunciando que o governador Ruy Costa pediu uma decisão negociada com os irrigantes e os prefeitos, o deputado garantiu que todas as decisões serão levadas ao governador,  para solucionar o conflito.

Falando pela Embasa, Marcelo garantiu encaminhar os estudos de barramento.

Protestos generalizados

Dentre os irrigantes presentes, o vereador Antônio Muniz (PSD) ao falar, rechaçou a ação do Inema e a Cia. PM CIPE, acusando que “o governo trata o produtor como bandido”, colocando no risco do desemprego quase 5.000 trabalhadores da agricultura na região. Ele acusou a Embasa de usar as águas do rio para seus fins econômicos e não dá nenhum retorno “a não ser multas e cortes de água”.

O vereador e irrigante Toinho Muniz disse que o Estado trata os produtores “como bandidos”.

Seguindo o mesmo tom, o produtor Judson Rios, integrante da Associação Central dos Irrigantes de Fruticultura da Chapada, alertou que a medida do Inema colocou em risco de falência o Polo de Banana de Utinga, gerando muito desemprego.

Pelo resgate do rio

Loriane transmitiu o exemplo dos jovens em defesa do rio.

Enquanto as autoridades e produtores focaram preocupação na reabertura das bombas lacradas pelo Inema, a jovem Loriane Brandão deu um exemplo que todos devem seguir, “mas poucos fazem”: o plantio de arvores para recomposição das margens do rio e nascentes. Integrando o Grupo Ambientalista SOS Nascentes Quem Ama Cuida, ela anunciou que os jovens preocupados com o futuro, estão plantando árvores.

Jonas Karoglan defendeu o uso racional dos recursos hídricos.

Também engajado no movimento ambientalista, o agricultor familiar Lico, criticou os excessos da produção e pediu a realização de um pacto social pelo racionamento da água, “para darmos fôlego ao rio”.

Lico conclamou pelo pacto social para salvar o rio.

Nesse alinhamento, o advogado Jonas Karaoglan, dirigente do recém criado Comitê de Manutenção e Preservação do Rio Utinga – COMPERIU, apelou para o meio termo no uso das águas “para garantir que o rio chegue até sua foz”. Representando os comerciantes, Elione Macedo alertou que “a seca torna o problema mais grave”, alertando o produtor a reduzir sua área de irrigação.

O cacique Juvenal Payayá quer a preservação conciliada com a produção sustentável.

Também, o descendente indígena, cacique Juvenal Payayá, considerou que a produção dos irrigantes é importante “mas que é preciso preservar o rio”, citando as ações de reflorestamento da nascente, que os descendentes payayás vem realizando com as comunidades.

0 comerciante Elione destacou que a a seca torna o problema mais grave.

Acordo

Nas conclusões, ficou pactuado que os produtores controlarão a irrigação em dias alternados e, com o apoio das prefeituras continuarão a limpeza do rio e fechamento dos canais laterais de vasão da água, competindo ao Inema a imediata celebração do acordo, liberando o lacre da irrigação. Além disso, ficou definido que o Governo do Estado desenvolverá estudos para implantar barragens no rio.

O prefeito Joyuson confessou sua angustia diante da crise na produção.

Neste sentido o diretor da Embasa, Marcelo Veiga, assegurou que levará à empresa a proposta de estudos de viabilidade para a construção de barramentos do rio. Conforme Marivaldo Dias da SERIN serão aplicadas ações emergenciais e perenizadoras, sendo a primeira, garantir que a água chegue aos demais municípios; e a segunda depende do orçamento do Estado e do Poder Legislativo, “para assegurar investimentos que garantam a perenização e uso da água pela população”. Ele alertou que “não se pode tirar mais água que a capacidade do rio, de dar e que não se deve aumentar área de plantação se não tem água suficiente”.

Marivaldo da Serin advertiu que “não se pode tirar mais água que a capacidade do rio”.

No enceramento, todos ficaram na expectativa do encaminhamento do deputado Marcelo Nilo e dos dirigentes de governo, para uma solução que deve ser anunciada no inicio desta semana.

O agrônomo Pedro Augusto, de Ruy Barbosa, uniu-se aos produtores defendendo a agricultura sustentável. 
Joyuson recepcionou o deputado Marcelo Nilo, diretor da Embasa Marcelo Veiga e o prefeito Elter Bastos de Wagner.,
O presidente do STR, Nego do Sindicato, defende primeiro o rio, com ajustes na produção.
Vereadores Paulo Neto, Talmo Vinicius, Sandro Costa e Toinho Muniz, uniram-se aos produtores.
O contador Marcelo Rio Mascarenhas, da ORCOMA, prestigiou o evento ao lado de assessores do município.
O radialismo marcou presença com Elizeu da Rádio Cultura e locutores.
O presidente do STR, Nego do Sindicato, defende primeiro o rio, com ajustes na produção.
O eventro superlotou o Mercado do Produtor de Utinga e teve como cerimonialista o radialista Sandro Cavalcante.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios