As notícias de tecnologia mais importantes do ano 2018

Foguete Falcon Heavy, Epic Games Store, Polêmicas da Google, Bebês com genes modificados na China, foram alguns dos muitos destaques tecnológicos

Falcon Heavy, o foguete interplanetário lançado pelos EEUU.

Este ano foi bastante agitado e é possível dizer que não houve um mês em que o universo da tecnologia não tivesse uma grande notícia para chamar de sua. Avançamos em genética, espaço, carros autônomos e passamos a discutir um pouco mais sobre privacidade e a nossa relação com o dados. Com 2018 tão recheado de grandes notícias, selecionamos o que aconteceu de mais importante para você relembrar.

1. Lançamento do Falcon Heavy

SpaceX começou o ano tomando completamente os noticiários. Isso porque ela lançou o Falcon Heavy, o foguete mais poderoso até em então em funcionamento. Com seus 27 motores, ele é capaz de gerar um impulso de 23 mil kilonewtons, o suficiente para transportar até 64 toneladas para a órbita baixa da Terra.

Para mostrar toda a capacidade do seu novo brinquedo, a companhia preparou uma das ações de marketing mais chamativas do ano: a empresa enviou um carro Tesla Roadster com um boneco vestido de astronauta em seu interior. O conjunto carregou vários símbolos da cultura pop, nerd e astronômica. No painel, os escritos “Don’t Panic”, do livro Guia do Mochileiro das Galáxias, por exemplo — e tudo isso transmitido ao som de Space Oddity, de David Bowie.

O evento provou que a SpaceX está pronta para oferecer um transporte realmente volumoso para o espaço, a um preço bem abaixo do custo da NASA. Dessa forma, registrou um marco novo para o que a companhia pode oferecer e o potencial de parcerias de governos com empresas privadas.

2. Facebook, Cambridge Analytica e GDPR

Mark Zuckerberg em audiência no Senado americano (Foto: Captura/Facebook)

Esta, com certeza foi a grande notícia do ano. Em abril, uma reportagem do The Guardian revelou um esquema de utilização indevida de dados de usuários do Facebook por uma empresa chamada de Cambridge Analytica. Ela teria usado um questionário para levantar informações de 87 milhões de usuários da rede social, as quais deveriam servir apenas para pesquisas acadêmicas.

Contudo, há suspeita de que a empresa tenha utilizado os dados em campanhas que elegeu Donald Trump, em 2016, e no voto pela saída do Reino Unido da União Europeia, caso chamado de Brexit.

O caso tomou proporções gigantes e levantou uma questão importante sobre como empresas podem lidar com dados de usuários. Tanto que, em maio, entrou em vigor na Europa o General Data Protection Regulation (GDPR ou Regulamento Geral de Proteção de Dados). Tal documento passou a criar uma série de imposições para dar mais segurança e liberdade ao usuário sobre como empresas podem reter e usar seus dados.

O GDPR fez com várias empresas revisassem as suas políticas de segurança. Também, foi inspirada nesta regulamentação que a Lei Geral de Proteção de Dados foi aprovada aqui no Brasil.

3. Fortnite e Epic Games Store

O game que bombou.

Fortnite, com certeza, é uma das produções culturais mais influentes do ano. O game bateu todos os recordes em transmissão, número de jogadores simultâneos e rendeu a Epic Games.

Um dos destaques foi o lançamento de Fortnite para as plataformas mobile. Ele chegou em março para iOS e bateu a receita de U$15 milhões em apenas 20 dias, desbancando Candy Crush, até então o melhor lançamento em lucro da plataforma.

Daí, surgiu toda uma espera do lançamento do título também para Android. O game só chegou à Google Play em outubro, junto com o lançamento do Galaxy Note 9, com uma semana de exclusividade para o phablet.

O estouro de sucesso em ambas plataformas rendeu para a Epic Games dinheiro suficiente para criar a sua loja online. A Epic Games Store chegou agora em dezembro prometendo para os desenvolvedores uma fatia maior de lucro com seus jogos em comparação com os concorrentes. Ela oferece até 88% da receita do jogo, enquanto a Valve dá até 80% do total, caso o jogo vá muito bem em sua loja. O comum, no Steam, contudo, é uma fatia de 30% para a Valve e 70% para o desenvolvedor/publicador.

Nesta mesma toada, o Discord já anunciou também que sua loja vai passar a oferecer 90% da receita ao desenvolvedor, buscando a competitividade no setor. O que tanto Epic Games quanto Discord assumem é que uma taxa de cerca de 10% a 15% para publicação dos jogos é suficiente para manter um modelo de negócio saudável.

4. Elon Musk e a Tesla “fora” da bolsa

O cientista

Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, com certeza, foi um dos destaques dos noticiários de 2018, para o bem e para o mal. Se foi protagonista no lançamento do Falcon Heavy, também acabou sendo o personagem principal de uma das maiores gafes deste ano.

Em agosto, Musk informou em post no Twitter que tinha interesse em fechar o capital da Tesla. A proposta, segundo as postagem do CEO, era tirar a empresa da Bolsa e colocar as ações a US$ 420, sendo que elas eram negociadas a US$ 240 na época. O aumento potencial de 22% nos papéis fez com que as ações da empresa subissem 6% naquele dia.

O anúncio, feito de forma extra-oficial pelo Twitter do CEO não pegou bem e Musk foi convidado a explicar o que tinha em mente. A proposta era de que Musk usasse investimentos do fundo soberano saudita, com que já negociava a movimentação.

O “furo” do próprio CEO gerou barulho e fez com que a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) investigasse a empresa sob a acusação de fraude, como se Musk tivesse twittado sobre o fechamento da empresa somente para que as ações subissem — como aconteceu de fato.

A novela resultou em crise interna e a saída de Musk da presidência do conselho da Tesla, embora a empresa continue a tê-lo como CEO. Junto disso, Musk desistiu de fechar o capital da Tesla após acionistas pedirem que ele não fizesse isso.

5. Google Duplex

Um dos vídeos mais impressionantes do ano aconteceu em maio, durante o Google I/O, evento da empresa voltado para desenvolvedores. Depois de mostrar as novidades em inteligência artificial, Sundar Pichai, CEO da gigante, disse que tinha mais uma novidade a ser mostrada.

Ele mostrou a conversa entre o Google Duplex, nova inteligência artificial da companhia, com um ser humano. O papo, reproduzido no palco, era uma gravação real, garantiu Pichai.

O Duplex tinha a função de ligar para um salão de cabeleireiros e agendar um corte. Contudo, a forma natural como a inteligência artificial se articula e a capacidade de resolver sozinha um novo horário diante de uma negativa da primeira opção impressionaram a plateia.

A apresentação é tão impressionante que levantou suspeitas de que a produção seria uma fraude. O site Axios levantou pontos que botam em dúvida a credibilidade da produção como a falta de identificação dos estabelecimentos na ligação, a ausência de ruídos de fundo e ainda pediu que a Google informasse o número dos estabelecimentos para os quais ligou, o que foi negado.

6. Polêmicas da Google com Pentágono e a China

Bebe de proveta.

A Google também teve de enfrentar problemas internos neste ano, causados por dois projetos. O primeiro foi o Maven, uma parceria da companhia com Departamento de Defesa dos Estados Unidos (D.O.D., em inglês). A proposta é de que a empresa oferecesse ao Pentágono ferramentas de machine learning as quais seriam usadas para aprimorar mecanismos de reconhecimento de imagens por drone. Assim, o objetivo do projeto era automatizar a detecção de objetos capturados pelas lentes em 38 categorias.

A parceria, apesar de criada em abril do ano passado, teve seu ápice polêmico em março, quando funcionários descobriram e-mails sobre a negociação. Com isso, cerca de 3.100 funcionários da gigante de buscas assinaram uma carta pedindo para que o CEO da empresa, Sundar Pichai, reavaliasse o envolvimento da empresa com esta proposta, alegando que a “Google não deveria se envolver no setor de guerras”.

A polêmica sobre o assunto resultou no pedido de demissão de 12 funcionários em maio, dizendo que a empresa não era transparente com seus projetos, diretamente citando o Maven. Somente em junho, a companhia informou que não renovaria o contrato com o D.O.D, sendo que a parceria vai até somente o ano que vem, pondo um fim à questão.

A segunda polêmica interna diz respeito a um projeto chamado de Dragonfly. Este é o desenvolvimento de um mecanismo de busca voltado para o mercado chinês, país em que a Google não pode atuar por pressão do governo. O Dragonfly, portanto, seria uma versão do Google que aceitasse exigências e restrições chinesas para funcionar na região. Assim, surgiram várias críticas e acusações de que a Google estaria colaborando com mecanismos de censura na China.

A questão veio à tona em agosto, quando 1.400 funcionários da Google publicaram uma carta cobrando transparência sobre o projeto, até então um segredo da empresa. A empresa só viria a falar oficialmente do produto em setembro, confirmando o desenvolvimento.

O CEO da Google foi até convidado a se pronunciar no Congresso americano sobre este e outros temas, em dezembro deste ano. Ele não negou o desenvolvimento, mas disse que ainda não há planos de lançar a ferramenta. Uma semana depois, a Google fechou a principal plataforma de levantamento de dados sobre consumidores chineses, o que, segundo fontes internas da empresa, era crucial para o desenvolvimento do Dragonfly.

7. A valsa das criptomoedas

Moedas virtuais.

Pegando emprestada a metáfora do livro Valsa Brasileira, da economista Laura Carvalho, vamos falar sobre o vai-e-vem das criptomoedas em 2018. Este ano não foi dos melhores para quem investiu no meio.

No final do ano passado, o bitcoin estava em alta, batendo a marca de quase US$ 20.000, mas teve queda de 73% desde janeiro deste ano. A moeda é negociada na casa de US$ 3.700.

O mercado como um todo também teve baixa: desde o início do ano, a capitalização de criptomoedas caiu em 80%. .

8. A valsa da Apple

Outra empresa que também dançou um vai-e-vem neste ano foi as Apple. Nos três primeiros trimestres deste ano, a empresa voou em alta velocidade, e os números foram tão bons que ela se tornou, em agosto, a primeira do mercado de TI a bater o valor de US$ 1 trilhão.

Junto disso, ela viu, também no período, os seus papéis serem negociados em US$ 227. Contudo, desde então a companhia viu seu bom resultado despencar nos últimos três meses. A companhia sofreu com vendas baixas dos seus mais recentes modelos de iPhone, reduzindo a demanda de suas principais fornecedoras e gerando uma crise na cadeia produtiva do iPhone.

Também no final do ano, ela viveu pelo menos dois pesadelos diplomáticos. O primeiro foi a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em taxar a importação de iPhones em 10%, caso a China não cedesse à pressão internacional. O embate resultou em uma trégua de 90 dias entre os dois países e o problema deve retornar somente no ano que vem.

Por fim, a fabricante também perdeu um processo para a Qualcomm que pedia o banimento de alguns modelos antigos de iPhones na China. Em uma decisão controversa, o governo chinês proibiu a produção e venda de aparelhos das linhas antigas da Apple.

Todo este cenário desfavorável fez com que as ações caíssem em 33% desde o pico de setembro deste ano. Em 2018, contudo, ela ainda registra alta de 10%.

9. O embate ZTE X EUA

A fabricante chinesa ZTE foi banida do mercado norte-americano, mas conseguiu voltar à região em 2018. O caso começou em 2017, quando a ZTE foi acusada de fornecer produtos e serviços de telecomunicações para países como o Irã e a Coreia de Norte, o que quebrava acordos entre EUA e China. Em maio deste ano, ela encerrou as operações no país, sob uma banimento de sete anos do mercado norte-americano.

Para voltar a participar de um dos centros mais rentáveis do mundo, a ZTE teve de fazer algumas concessões. A primeira foi limpar a casa e mandar pelo menos 40 funcionários da empresa embora, entre gerentes locais e membros da diretoria, bem como vice-presidentes de diferentes departamentos.

Segundo informações oficiais do governo dos EUA, a sanção é a maior já aplicada a uma companhia estrangeira, mas estaria em total conformidade devido à gravidade das negociações entre a ZTE e inimigos do estado americano.

Por fim, a fabricante ainda assinou um acordo de US$ 1 bilhão como sanção pelos crimes cometidos. Como a empresa já havia pagado um total de US$ 892 milhões em março do ano passado, a ZTE teve de reservar US$ 400 milhões em depósito como garantia de que não repetirá a ação. No total, a empresa gastou US$ 2,29 bilhões para voltar a fazer negócios com o país.

O ano de 2018 foi chegando ao fim com uma notícia bombástica para a genética. Isso porque o cientista Jiankui He informou que editou a genética de um casal de bebês que nasceu na China. Nana e Lulu tiveram seus genes modificados por uma técnica conhecida como “tesouras moleculares CRISPR/Cas9”, que supostamente permite a alteração livre e quase irrestrita de genes do corpo humano.

Com isso, He teria conseguido alterar genes o CCR5, que é atacado pelo vírus HIV, o agente causador da AIDS. O objetivo é de que as crianças desenvolvam imunidade contra a doença ao longo de suas vidas.

Ele apresentou o trabalho em um congresso na China e gerou polêmica no setor, sendo acusado de romper com a ética científica. Segundo Jiankui, ao menos oito famílias trabalharam com ele em prol da pesquisa, sendo que uma delas desistiu do processo. Os casais teriam concordado com a modificação genética, pois apesar de as mães serem soronegativas, todos os pais são positivos, o que aumenta a probabilidade de o bebê também contrair a doença (atualmente, há técnicas que permitem a inseminação segura). A alteração genética tem como objetivo exatamente evitar que os bebês contraiam o HIV.

Após o escândalo, ele informou que faria uma pausa nas suas pesquisa. Atualmente, o cientista está desaparecido, sob a suspeita de cárcere pelo próprio governo chinês. (Fonte: msn)

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