Análise | Switch Lite é o portátil que o Switch normal nunca será

Quando a Nintendo anunciou o Switch lá em 2016, não eram gráficos em HD, nem mesmo os jogos que impressionavam. O destaque do então novo console da empresa era ele ser híbrido. A imagem do presidente da Nintendo of America à época, Reggie Fils-Aime, no programa de Jimmy Fallon mostrando como era fácil trocar da TV para versão portátil convenceu muita gente a comprar o novo dispositivo da japonesa. Passados dois anos do lançamento do console, a Nintendo modificou a sua estratégia e lançou o Switch Lite, uma versão mais simples e em conta do console, retirando exatamente aquilo que ele tem de mais incrível: ou seja, a capacidade de ser um misto entre console de mesa e portátil não pertence a esta versão. Em contrapartida, o Lite custa US$ 100 a menos que a versão original, o que se pode converter em mais de R$ 400 de economia para quem compra em reais brasileiros. -Podcast Porta 101: a equipe do Canaltech discute quinzenalmente assuntos relevantes, curiosos, e muitas vezes polêmicos, relacionados ao mundo da tecnologia, internet e inovação. Não deixe de acompanhar.- Mas será que essa economia vale a pena? É isso que a gente vai responder aqui. Diferenças  Falar do Switch Lite sem comparar com a versão original é quase que impossível. Isso porque estamos citando diretamente um novo modelo de uma linha existente. Portanto, a relação entre o console lançado em 2017 e o seu irmão mais novo será constante neste texto. A principal diferença entre os dos videogames está nos joy-cons e dock. O Lite não permite que o usuário retire os controles nas laterais, como acontece na versão original. Junto disso, a versão mais barata não encaixa no dock, tornando impossível ligá-lo na televisão. Como consequência, o Switch Lite se posiciona somente como um portátil e não mais como um híbrido. Outro resultado dessa escolha é que ele também só consegue rodar gráficos em 720p, diferente do Switch convencional que chega a 1080p quando é jogado na televisão. Mais à frente, conversaremos sobre se isso é um problema ou não. Ao não ter os joy-cons destacáveis, o Lite também passa a ter algumas limitações. A primeira é que o videogame não vem com “dois controles” como acontece no Switch convencional. Uma vantagem de venda do híbrido da Nintendo era poder usar, mesmo que com poucos botões, as duas metades do controle para jogar com algum amigo em multiplayer local. Além disso, os joy-cons têm algumas ferramentas importantes como o HD rumble (vibração mais precisa), sensor de movimento mais amplo e sensor infravermelho no lado direito do controle. Nada disso aparece no Lite com a qualidade que há na versão original. Pontos positivos Comecemos pelo lado bom. O Switch Lite tem uma “bateria melhor” que as versões lançadas lá em 2017. As aspas estão aqui por um motivo de que esta é uma verdade que só cabe no comparativo aos modelos anteriores à metade de 2019 do Switch. O que acontece é que a Nintendo e a Nvidia desenvolveram uma versão do chip Tegra X1 com melhor aproveitamento de energia. Com isso, não é que a bateria esteja melhor, mas é o processador que gasta menos, economizando energia. Aliás, em termos absolutos, a capacidade do Switch Lite é até menor que a da versão convencional. Assim, há três tipos de Switch no mercado com três tipos diferentes de bateria atualmente: Switch 1ª gen (Modelo HAC – 001) – De 2,5h a 6,5 h (3h jogando Zelda: BOTW); Switch 2ª gen (Modelo HAC – 001-01) – De 4,5h a 9h (5h30 jogando Zelda: BOTW); Switch Lite – De 3h a 7h (4 h jogando Zelda: BOTW). O motivo da bateria não ter o mesmo tamanho que a do Switch normal é porque ele também não tem as mesmas dimensões. Comparações entre os dois modelos (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)Ser um pouco menor pode parecer um ponto ruim, mas é um dos maiores destaques do Lite. Primeiro porque a tela passa a ter uma densidade de pixels maior. Ambos consoles contam com tela LCD de 1280×720 pixels, só que são 6,2 polegadas para a versão original e 5,5 polegadas para o novo aparelho. Com isso, o Switch Lite tem 267 ppi enquanto o console original tem 237 ppi. Outra vantagem em ser menor é que ele também pode ser mais leve. Como não há intenção de colocar na TV, todo o espaço reservado à peça que fazia isso no switch original agora ficou vazia, dando mais leveza ao portátil. Assim, o Switch normal tem 398 gramas de massa, enquanto o Lite tem 276 gramas. Portátil verdadeiro Testando o Lite por algumas semanas, é possível ver que o Switch convencional não foi exatamente feito para ser um portátil. As dimensões menores ajudam bastante a dar mais conforto para a jogatina na mão. Diferente do que acontece com o console híbrido, aqui você não sente que está dividindo a carga entre segurar o aparelho e jogar. Como ele é leve, somente o fato de ter o portátil na mão já faz com que você sinta que ele está seguro.   Ainda, como ele é mais leve, mesmo que os controles estejam ainda menores, são mais confortáveis do que os joy-cons na versão portátil do Switch convencional. Outra mudança de hardware ajuda a considerar este aparelho mais portátil. Ele é revestido de plástico, com uma textura mais emborrachada que ajuda a manter o aparelho melhor na mão. Ou seja, é bem mais confortável de segurar. Pontos negativos O Lite não traz algumas boas características que a versão original, para além das compatibilidades citadas aqui. O primeiro detalhe é que ele não tem o sensor de luminosidade na parte de cima da tela. Esta peça é voltada para fazer a adaptação automática de luz quando se está jogando. Sinceramente, um detalhe que pode passar despercebido pela maioria do gamers. Contudo, existe outro detalhe que pode fazer mais diferença. Na parte de trás do Switch convencional, há uma perninha de plástico feita para apoiar o console. Como o Lite é feito para se jogar sozinho, esta peça não existe nele, impedindo que você posicione o dispositivo desta forma. A opção da Nintendo de retirar o apoio faz sentido, mas poderia ser útil, já que os joy-cons são também compatíveis com o Switch Lite. Ou seja, se eu já tiver (ou comprá-los separadamente) os controles do console, poderia usar para jogar com alguém compartilhando aquela telinha. Uma decisão de design que faz sentido, mas parece que não custaria nada ter este pedacinho de plástico ali. Aparelho não conta com apoio na parte de trás (Foto: Canaltech)Como isso se reflete no uso? Bom, vamos lá. Dito tudo sobre o que há de diferença, vantagens e desvantagens entre os dois aparelhos, é hora de falar quanto isso impacta no console na mão do jogador. Primeiro, é preciso ter em mente que estamos falando de um portátil. Assim, o fato de não ser compatível com a TV não entra aqui como um ponto negativo. É uma escolha de proposta. Ele é um aparelho muito mais confortável que o Switch convencional para se usar na mão. Contudo, ainda mantém as dores dos joy-cons quando se passam longas horas jogando no Lite. A bateria cumpre o que promete, sendo que a média de duração foi na casa de 5h em um jogo mais complexo como Super Smash Brothers: Ultimate. Em comparação com a mesma utilização no Switch convencional (1ª gen), que também usei, bateu com os 30 minutos divulgados pela Nintendo. A tela menor não fez tanta diferença, uma vez que o console mais próximo do rosto mantém uma boa definição mesmo apenas com os 720p. Confesso que só fui sentir mesmo o “peso” de não se ter o dock na hora de recarregar o dispositivo. Como o suporte também serve para energia, esta comodidade fez falta na versão Lite. O Switch convencional fica na minha estante como uma peça de decoração também, e não ter esta pequena facilidade pesou mais do que as outras deficiências. E os jogos?  Outra preocupação de quem está decidindo se quer ou não pegar a versão mais barata é a compatibilidade com os jogos. O Lite só não roda os games que não tem suporte a serem jogados em modo portátil. Todos os outros são compatíveis e rodam com mesmo desempenho que a versão original. Alguns exemplos deles são: Just Dance, o game de dança da Ubisoft; e Nintendo Labo, a série de experimentos em cardboard da companhia. Contudo, alguns jogos como 1-2 Switch também podem ser usados com o Lite caso você tenha joy-cons sobrando para conectar a ele. Como não é preciso olhar o tempo todo para a telinha, você consegue usar o jogo com os controles a mais ligados ao aparelho. Joy-cons fazem falta na hora de compartilhar jogos (Foto: Canaltech)Em termos práticos, será muito raro o game não-compatível com o Lite. A bem da verdade, nas semanas de testes aqui no Canaltech não houve um título que gostaríamos de experimentar que não fosse possível. Ou seja, pode ir sem medo que a imensa maioria dos games vai rodar sem problemas. O que mais pesa aqui, contudo, foi perder o multiplayer local. Como o Switch Lite é feito para portátil que, por hábito, é um videogame individual, ele não é feito para compartilhamento de tela. Não ter a divisão dos joy-cons também não estimula isso. Assim, mesmo que você consiga ligar outros controles naquela telinha de 5,5 polegadas, espremer-se com outra pessoa na frente dela não é a mais confortável das experiências. De resto, as outras capacidades como o HD rumble, infravermelho e até o sensor de luminosidade não fizeram falta em praticamente nenhum momento durante os testes do Canaltech. Segundo Switch O Lite pode ser uma boa pedida para famílias que já tenham um Switch, mas que, por algum motivo, queiram mais console. Por exemplo, em uma casa com duas crianças. O portátil pode funcionar como uma extensão do console convencional, já que é possível compartilhar a mesma conta entre os dois aparelhos. Assim, você não precisa comprar o mesmo jogo duas vezes, mas usar os mesmos games em ambos os consoles. O Lite também tem o foco em quem gosta de um bom portátil mais clássico, apelidados de órfãos do 3DS. Para este público, este aparelho será excelente, com a qualidade que a Nintendo sempre teve. Vale a pena?  Se você se encaixa no grupo dos que não querem um aparelho na TV, talvez o Lite possa ser uma boa opção. De fato, uma redução de US$ 100 em um dispositivo que custa U$ 299, significa uma queda de um terço no valor do produto. Algo a se considerar, ainda mais com a conversão do dólar. Aparelho é boa opção como segundo console (Foto: Canaltech)Se você está viajando para fora do país, com impostos, essa seria uma economia bastante interessante. Contudo, a variação parece não converter diretamente no preço dos consoles importados por aqui. É possível encontrar uma diferença pequena entre os modelos normal e Lite, na faixa de R$ 150 em lojistas nos Brasil. Assim, vale pegar a versão mais cara. Para além do preço, é importante perceber todo o carinho da Nintendo em realmente não fazer o Lite só uma versão mais barata do Switch, mas modificar o modelo para ser muito mais portátil do que o original já foi. Leia a matéria no Canaltech. 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