Postado em 20/06/2009 ás 11:00hs

Opinião do nosso editor


Verso e reverso


A política itaberabense tem apresentado as mais variadas facetas eleitorais dos últimos anos, surpreendendo a região por sua intensa leviandade. Nos seis primeiros meses de 2009, Itaberaba ganhou repercussão nacional ao empossar dois prefeitos: Solon Ribeiro em 1º de janeiro e agora João Mascarenhas Filho, dia 10 de junho. O município entrou para a história política com a posse inédita no cargo de prefeito, do segundo colocado nas eleições, não por morte do primeiro concorrente, nem por condenação por abuso de poder econômico eleitoral. O segundo colocado foi empossado por mera interpretação da legislação eleitoral dos desembargadores do TRE/Ba.
Em verso, a cidade dividida festeja a chegada ao poder daquele que foi eleito pela maioria dos eleitores, o empresário João Filho, enquanto em reverso, a outra parte chora a queda de um gestor que em poucos meses moralizou as contas públicas, resgatou a paz municipal e deixou muito dinheiro em caixa. Fala-se que Solon deixou reservas estimadas em R$3,5 milhões.
Em verso, Solon revelou timidez diante do poder que concentrou em suas mãos, quando nada disse e quase nada fez, limitando sua gestão à moralização dos cofres públicos, controle dos gastos, economia de reservas e atendimento de gabinete. Em reverso, João Filho chega ao cargo com sede de poder, determinado a fazer uma “administração revolucionária”, sob comando forte e intensa concentração administrativa.
Em verso, João promete que sua gestão será a melhor do município, igual ou superior à do seu irmão e ex-prefeito Jadiel Mascarenhas, que ao seu lado exerce o cargo de secretário de governo, mesmo respondendo a vários processos judiciais como a cassação do mandato em 2003 por abuso de poder econômico eleitoral. Em reverso a estas pretensões, os tempos são outros, pois não existe mais ACM dando as cartas na Bahia, nem governo estadual aliado para viabilizar os altos investimentos em obras que esperam executar.
Em verso, João Filho se dispõe a realizar uma administração de resultados, levando a presença da Prefeitura a todos os setores da sociedade, buscando para tanto, firmar alianças políticas com setores dos governos do PT, como já ocorre com sua aproximação ao PMDB do ministro Gedel Vieira Lima (integração nacional). Em reverso, para fazer caixa para os cofres municipais, visando atender seus planos, aplicará arrocho fiscal sobre toda a população gerando traumas e disputará decisões entre ele e seu irmão.
Em verso, João quer o poder em suas mãos que, em reverso coincide com a personalidade forte do seu irmão. Até quando o verso e o reverso vão sustentar união e irmandade?