Opinião do nosso editor
Verso e reverso
A política itaberabense tem apresentado as mais variadas facetas
eleitorais dos últimos anos, surpreendendo a região
por sua intensa leviandade. Nos seis primeiros meses de 2009, Itaberaba
ganhou repercussão nacional ao empossar dois prefeitos: Solon
Ribeiro em 1º de janeiro e agora João Mascarenhas Filho,
dia 10 de junho. O município entrou para a história
política com a posse inédita no cargo de prefeito, do
segundo colocado nas eleições, não por morte
do primeiro concorrente, nem por condenação por abuso
de poder econômico eleitoral. O segundo colocado foi empossado
por mera interpretação da legislação eleitoral
dos desembargadores do TRE/Ba.
Em verso, a cidade dividida festeja a chegada ao poder daquele que
foi eleito pela maioria dos eleitores, o empresário João
Filho, enquanto em reverso, a outra parte chora a queda de um gestor
que em poucos meses moralizou as contas públicas, resgatou
a paz municipal e deixou muito dinheiro em caixa. Fala-se que Solon
deixou reservas estimadas em R$3,5 milhões.
Em verso, Solon revelou timidez diante do poder que concentrou em
suas mãos, quando nada disse e quase nada fez, limitando sua
gestão à moralização dos cofres públicos,
controle dos gastos, economia de reservas e atendimento de gabinete.
Em reverso, João Filho chega ao cargo com sede de poder, determinado
a fazer uma “administração revolucionária”,
sob comando forte e intensa concentração administrativa.
Em verso, João promete que sua gestão será a
melhor do município, igual ou superior à do seu irmão
e ex-prefeito Jadiel Mascarenhas, que ao seu lado exerce o cargo de
secretário de governo, mesmo respondendo a vários processos
judiciais como a cassação do mandato em 2003 por abuso
de poder econômico eleitoral. Em reverso a estas pretensões,
os tempos são outros, pois não existe mais ACM dando
as cartas na Bahia, nem governo estadual aliado para viabilizar os
altos investimentos em obras que esperam executar.
Em verso, João Filho se dispõe a realizar uma administração
de resultados, levando a presença da Prefeitura a todos os
setores da sociedade, buscando para tanto, firmar alianças
políticas com setores dos governos do PT, como já ocorre
com sua aproximação ao PMDB do ministro Gedel Vieira
Lima (integração nacional). Em reverso, para fazer caixa
para os cofres municipais, visando atender seus planos, aplicará
arrocho fiscal sobre toda a população gerando traumas
e disputará decisões entre ele e seu irmão.
Em verso, João quer o poder em suas mãos que, em reverso
coincide com a personalidade forte do seu irmão. Até
quando o verso e o reverso vão sustentar união e irmandade?