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Quatro policiais militares
foram reconhecidos por pessoas que asseguram ter testemunhado assassinatos
e sequestros ocorridos durante uma operação da PM em
represália à morte do soldado Marcelo Márcio
Lima Silva, 32 anos, no mês passado, em Vitória da Conquista
(a 509 km da capital).
Os quatro foram identificados em autos de reconhecimento realizados
nesta quarta à tarde, no município, com a presença
da cúpula da Secretaria da Segurança Pública
(SSP) e de promotores que integram a força-tarefa do Ministério
Público (MP), |
designada
para investigar o caso. As autoridades não revelaram nomes
dos PMs, tampouco confirmaram se irão solicitar prisão
cautelar deles.
Os autos de reconhecimento foram iniciados no início da tarde,
no Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep) de
Conquista. A promotora pública Ana Rita Nascimento, coordenadora
do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado
(Gaeco), levou pessoalmente as testemunhas à unidade para realizar
o procedimento de identificação, na presença
do secretário da Segurança, César Nunes.
Parentes das vítimas e testemunhas já tinham revelado
os nomes dos militares em depoimento ao MP, mas faltava ser realizado
o reconhecimento legal. Os suspeitos foram colocados lado a lado numa
sala com espelho mágico, onde as testemunhas enxergam os suspeitos
sem serem vistas. A imprensa não teve acesso.
Após cerca de uma hora, César Nunes e a promotora Ana
Rita anunciaram que quatro PMs tinham sido reconhecidos. Os delegados
Gabriela de Diego Garrido e Ricardo Húngaro, ambos de Conquista,
lavraram os autos de reconhecimento.
Sigilo - O secretário disse que não iria revelar nomes
nem patentes dos PMs identificados, pois os autos de reconhecimento
são apenas o início das investigações
e ainda será necessário novas diligências. “Nós
não vamos identificar ninguém ainda porque é
uma primeira diligência, faz parte de todo um apanhado e ainda
temos muito caminho para andar”, argumentou Nunes. A promotora
também se negou a dizer o nome dos policiais: “Não
posso irresponsavelmente dar nomes agora, por causa da comoção
gerada na cidade, no Estado e até nacionalmente”.
Ana Rita não quis informar se pretende solicitar
à Justiça a prisão dos PMs, porque um dos reconhecidos
poderia tentar fugir, destruir provas, ameaçar testemunhas.
“Seria um equívoco dizer que vamos pedir a prisão,
pois um desses envolvidos pode se sentir um pouco mais acuado e empreender
fuga, destruir provas, ameaçar testemunhas”, ela justificou.
Apesar de as autoridades não terem revelado o nome dos PMs
reconhecidos como autores dos crimes, fontes na polícia informaram
a A TARDE que eles pertencem à mesma turma do soldado Marcelo
Márcio, lotados no 9º Batalhão da Polícia
Militar.
Esses policiais teriam ficado mais revoltados porque possuíam
um vínculo de amizade com o PM morto, e resolveram vingar a
morte do colega. Os quatro identificados estariam há cerca
de dois anos na corporação e nenhum deles seria oficial,
assim como o colega morto.
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