Atualizado em 04 de Janeirode 2010 as 08:10 h

Salvador tem 2.076 moradores
de rua, aponta pesquisa

 

 
Dar um passeio nas ruas de Salvador, o que deveria ser algo prazeroso, termina em tristeza. O centro da cidade, por exemplo, é repleto de moradores de rua e muito deles fazem suas necessidades fisiológicas ali mesmo. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Estadual (MP-BA); a Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão (Setad) e Fundação José Silveira (FJS), a capital baiana tem 2.076 moradores de rua.
Raimundo Santos Barbosa, 54 anos faz parte desta dolorosa realidade e seu cotidiano é acordar e dormir nas ruas de Salvador. Santos é pintor de automóvel e o local escolhido por ele para “morar” foi a Praça Almeida
Couto, no bairro de Nazaré, onde caminha pela calçada enquanto conta um pouco da sua história. Segundo ele, depois de ter se desentendido com a sua companheira, com quem morava há 20 anos, então ele resolveu sair e de casa e passou a morar nas ruas da capital. Agora Raimundo procura um novo trabalho, além disso, ele quer formar uma nova família. Sou pintor de carros. “Um dia volto a trabalhar e arrumo um canto para mim”, garante, apesar do semblante de tristeza.

Os números fazem parte da pesquisa População em Situação de Rua de Salvador, e esta tem como objetivo servir de base para a criação de políticas públicas de inclusão social, revelou o secretário do Setad, Antônio Brito. “Diversos fatores podem influenciar ao mesmo tempo na decisão dessas pessoas”, explicou Brito. Esse tipo de levantamento nunca havia sido feito na capital baiana.
Segundo a pesquisa, os homens são maioria dentre os moradores de rua, sendo que (79,8%), negros (49%), com 18 a 39 anos (70,2%). Os dados são do levantamento feito por meio de entrevistas com moradores de rua. Cinquenta por cento (1.017) deles disseram ter ido morar nas ruas por problemas afetivos e familiares. O segundo motivo apontado foi o uso de drogas e álcool, com 34,2% (687), e o terceiro o desemprego 21,1% (422).
As informações surpreenderam a pesquisadora e supervisora do Centro de Estudos e Pesquisa da FJS, Maria de Fátima Cardoso. “Inicialmente, achamos que íamos encontrar mais usuários de substâncias psicoativas”, afirmou. Os resultados coincidem com o que é visto nas ruas de Salvador.
Risco social - A pesquisa seguiu metodologia semelhante à realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), entre outubro de 2007 e janeiro de 2008, com uma diferença. “Eles usaram como base as pessoas que estavam em situação de risco social, a nossa são pessoas com o mesmo perfil, mas que, sobretudo, dormem nas ruas”, explicou a pesquisadora.
De acordo com o secretário da Setad, já estão sendo criadas ações sociais. “Nós estamos buscando é o resgate social dessas pessoas”, defendeu. Ele lembra que, desde o dia 1º de junho, o Setad, em parceria com o Ministério Público (MP), lançou o programa ‘Salvador Cidadania’, com o objetivo de implementar ações de proteção no atendimento inclusive de crianças e adolescentes que vivem nas ruas de Salvador.
Por orientação do Ministério Público, o projeto piloto foi no Centro Histórico de Salvador. “Fizemos a abordagem de crianças, adolescentes e cadastramos todos”, afirmou. Segundo o procurador do Estado, Lidivaldo Brito, com a divulgação destes dados, o trabalho só está começando. “A parceria do MP-BA com a Setad e também com o governo do Estado continua no sentido de usar os dados para implementar ações”, garantiu.
A Cidade Baixa é a região com mais moradores de rua (620), seguida de Pelourinho, Baixa dos Sapateiros, Barroquinha e Barbalho (com 487) e o Centro da cidade (com 321). Além dos homens adultos, também há mulheres, crianças e adolescentes vivendo nas ruas, que representam 10,5% dessa população.

 
Fonte http://www.oparaguacu.com.br/