Couto,
no bairro de Nazaré, onde caminha pela calçada enquanto
conta um pouco da sua história. Segundo ele, depois de ter
se desentendido com a sua companheira, com quem morava há 20
anos, então ele resolveu sair e de casa e passou a morar nas
ruas da capital. Agora Raimundo procura um novo trabalho, além
disso, ele quer formar uma nova família. Sou pintor de carros.
“Um dia volto a trabalhar e arrumo um canto para mim”,
garante, apesar do semblante de tristeza.
Os números fazem parte da pesquisa População
em Situação de Rua de Salvador, e esta tem como objetivo
servir de base para a criação de políticas públicas
de inclusão social, revelou o secretário do Setad, Antônio
Brito. “Diversos fatores podem influenciar ao mesmo tempo na
decisão dessas pessoas”, explicou Brito. Esse tipo de
levantamento nunca havia sido feito na capital baiana.
Segundo a pesquisa, os homens são maioria dentre os moradores
de rua, sendo que (79,8%), negros (49%), com 18 a 39 anos (70,2%).
Os dados são do levantamento feito por meio de entrevistas
com moradores de rua. Cinquenta por cento (1.017) deles disseram ter
ido morar nas ruas por problemas afetivos e familiares. O segundo
motivo apontado foi o uso de drogas e álcool, com 34,2% (687),
e o terceiro o desemprego 21,1% (422).
As informações surpreenderam a pesquisadora e supervisora
do Centro de Estudos e Pesquisa da FJS, Maria de Fátima Cardoso.
“Inicialmente, achamos que íamos encontrar mais usuários
de substâncias psicoativas”, afirmou. Os resultados coincidem
com o que é visto nas ruas de Salvador.
Risco social - A pesquisa seguiu metodologia semelhante à realizada
pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), entre outubro
de 2007 e janeiro de 2008, com uma diferença. “Eles usaram
como base as pessoas que estavam em situação de risco
social, a nossa são pessoas com o mesmo perfil, mas que, sobretudo,
dormem nas ruas”, explicou a pesquisadora.
De acordo com o secretário da Setad, já estão
sendo criadas ações sociais. “Nós estamos
buscando é o resgate social dessas pessoas”, defendeu.
Ele lembra que, desde o dia 1º de junho, o Setad, em parceria
com o Ministério Público (MP), lançou o programa
‘Salvador Cidadania’, com o objetivo de implementar ações
de proteção no atendimento inclusive de crianças
e adolescentes que vivem nas ruas de Salvador.
Por orientação do Ministério Público,
o projeto piloto foi no Centro Histórico de Salvador. “Fizemos
a abordagem de crianças, adolescentes e cadastramos todos”,
afirmou. Segundo o procurador do Estado, Lidivaldo Brito, com a divulgação
destes dados, o trabalho só está começando. “A
parceria do MP-BA com a Setad e também com o governo do Estado
continua no sentido de usar os dados para implementar ações”,
garantiu.
A Cidade Baixa é a região com mais moradores de rua
(620), seguida de Pelourinho, Baixa dos Sapateiros, Barroquinha e
Barbalho (com 487) e o Centro da cidade (com 321). Além dos
homens adultos, também há mulheres, crianças
e adolescentes vivendo nas ruas, que representam 10,5% dessa população.
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